segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos - 26km


No passado dia 4 de Agosto, sábado, participei na 4ª edição do Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos... Tendo em conta que me encontro em fase de preparação para a Maratona do Porto, não convinha abusar muito, por isso participei na prova mais curta de 26km, sendo que a ultra eram 50km.

Tal como o nome indica, a prova era de noite e teve início pouco depois das 21h... A partida foi dada em simultâneo para as duas provas, pelo que ver a quantidade de luzinhas que se avistavam nos primeiros km de prova, afastando-se das muralhas da vila de Óbidos foi qualquer coisa de extraordinário...

A Carla também participou nos 26km, sendo que seria a sua maior distância até à data, pelo que achei por bem realizar a prova com ela... O objectivo era dar-lhe apoio moral, alertá-la e evitar os perigos inerentes ao facto de a prova ser nocturna e aproveitar para fazermos uma prova juntos e desfrutarmos juntos aquelas horas de "passeio"...

O início foi bem animado, integrados na retaguarda no enorme pelotão... Com bastante pó à mistura, diga-se de passagem... Como íamos na cauda da corrida, levávamos com o pó que o pessoal da frente ia levantando...

Os primeiros km foram feitos num bom ritmo... Apanhámos algumas curtas subidas, mas como ainda haviam forças de sobra, fizeram-se bem...

Passámos o primeiro abastecimento (5,5km) juntamente com um enorme grupo que se tinha formado e a partir daqui a selecção começou a ser feita...

Fomo-nos aproximando da Lagoa e fizemos uns km por um pinhal, sempre com um bom ritmo, sempre a correr, apenas caminhamos em alguns troços de areia...

Até aos 12km fomos muito bem, quando entramos nos canaviais é que a coisa começou a acalmar... Primeiro um enorme engarrafamento para atravessar um pequeno canal de água que tinha alguma lama e ninguém queria sujar os pés... Estivemos literalmente parados na fila cerca de 5 minutos... Quando foi a nossa vez de atravessar mostramos aquela gente como se faz e entramos na água, enterramos os pés na lama e ala que se faz tarde...

Antes de chegarmos ao 2º abastecimento (15km) ainda nos enganamos no caminho umas dezenas de metros quando distraidamente seguíamos os atletas que iam à nossa frente...

Estes km junto à lagoa proporcionaram-nos imagens bem porreiras que só são possíveis nas provas nocturnas, ao avistarmos a fila indiana de frontais que seguiam à nossa frente já na outra margem de um dos "braços" da lagoa...

Aos 16km deu-se a separação das duas provas e continuamos por um estradão, agora mais sozinhos...

Até ao 3º abastecimento (19km) ainda aguentamos um bom ritmo, mas a partir daqui foi sempre a gerir... A Carla já só queria caminhar, mas mesmo assim ainda a consegui pôr a correr alguns troços...

Ao avistarmos as muralhas da vila ao longe, sabíamos que estava quase, faltavam 2 ou 3km e estávamos a descer, sabendo que ainda iríamos ter que subir até lá acima novamente...

Começamos a subir e ainda nos enganámos uns metros quando seguimos pelo caminho mais fácil, mas o caminho certo era mesmo por aquela barreira inclinada...

Subimos até à muralha e os reflectores mandaram-nos outra vez para baixo... Começamos a descer e deparámos-nos com 3 atletas que desciam muito (mas mesmo muito) devagar, sendo que o atleta que seguia na frente é que ia a empancar aquilo tudo e não teve a displicência de deixar passar quem seguia atrás, mas pronto...

Lá chegamos à subida final, fizemos um último esforço e entramos nas muralhas que pelo vistos eram a linha de meta, mas eu nem reparei...

E estava feita!

Foi uma boa prova, diversificada, mas mesmo assim com muito estradão para o meu gosto... Mas cada um dá-nos o que tem e cada prova é diferente de todas as outras...

Adorámos a parte final da aproximação à meta, só foi pena termos apanhado algum "trânsito"...

Não tenho grandes falhas a apontar à organização, só acho que as marcações podiam estar um pouco melhores, com reflectores maiores e em mais quantidade...

 De resto, tudo 5 estrelas!

A classificação era o que menos interessava, mas acabamos com cerca de 4h de prova, a Carla foi 262ª da geral e 52ª feminina (em 66) e eu fui 263º da geral em 291 atletas chegados à meta da distância mais curta.


Alguns dados da nossa prova: 


Distância: 27,17km

Tempo: 4h00m08s

Ganho de elevação: 432m

Perda de elevação: 428m

Cadência média: 8:49min/km

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Próximo objectivo: Maratona!

Ora bem, já lá vão mais de 15 dias desde a última vez que cá escrevi alguma coisa e já estava na hora de dar notícias...

Depois de ter concluído o Ultra Trail da Serra da Freita no passado dia 30 de Junho, aproveitei para tirar uma semana de folga das corridas...

As mazelas físicas com que fiquei impediam-me de correr sem dores... Senti alguma fadiga muscular nos dias após a prova, o que é normal, mas o que me impediu de correr foi a ferida com que fiquei abaixo do joelho direito... Agora já quase desapareceu e não me incomoda, mas na altura doía-me até a caminhar, quanto mais a correr...

Por isso, estive 8 dias sem correr... A única actividade física que fiz foram uns km de bicicleta de estrada para ir e voltar do trabalho um dia...

Num desses dias aproveitei também para ir dar sangue... É um gesto que gosto de fazer, pelo menos de 6 em 6 meses... Prejudica um pouco a forma física, porque diminui a hemoglobina, mas já que estava numa fase de descanso... Penso que foi a minha 4ª dádiva, que espero poder repetir muitas vezes... Será sinal que estou de boa saúde...

Na semana seguinte, de 9 a 15 de Julho, foi a semana de regresso aos treinos... Fiz treinos leves, para avaliar a forma física e terminar a recuperação da Freita e da dádiva de sangue...

Entretanto, já tenho o pensamento focado no meu próximo objectivo! Estrear-me e concluir a Maratona!

No dia 16 iniciei o meu plano de treinos para a Maratona! É um plano de 15 semanas com vista à participação na Maratona do Porto a 28 de Outubro! O plano foi elaborado por mim, com os conhecimentos que possuo, tentando respeitar os princípios básicos do treino... A "revisão" foi feita pelo mister João Carlos Correia, que me deu algumas indicações e me alertou para alguns aspectos importantes...

Dividi o plano em 4 fases:

1ª fase (4 semanas): Aumento progressivo da carga de treino, tentando chegar a um nível razoável de forma. Só inicio treino de séries mais a sério na 4ª semana, até lá variações de ritmo só mesmo numas brincadeiras em fartlek... O "longo mais longo" também será no final da 4ª semana com 24km... Média semanal: 50km

2ª fase (4 semanas): Depois de atingir um nível de forma minimamente aceitável, o objectivo é continuar a aumentar a carga e se possível os ritmos de treino nos treinos destinados a esse fim... Darei um passo atrás na distância dos longos e retomarei a evolução de forma progressiva... Provavelmente correrei uma Meia Maratona nesta fase para avaliar a forma... Média semanal: 57km

3ª fase (4 semanas): As séries continuarão de 15 em 15 dias, intercaladas com semanas de Fartlek... A carga continua a aumentar... No final desta fase realizarei o "Teste dos 32km"! Média semanal: 66km

4ª fase (3 semanas): Será a fase de descompressão... Tentarei realizar uma Meia Maratona 15 dias antes da Maratona no ritmo que pretendo para a Maratona... Se não conseguir que seja 15 dias antes, tentarei fazê-la 3 ou 4 semanas antes... Na penúltima semana ainda realizarei treino de séries e um longo de 21km... A última semana será mesmo de relax, só com 3 treinos leves e a Maratona no final! Média semanal: 58km

Ao longo do plano e dependendo de como as coisas evoluírem ainda ponderarei aumentar ligeiramente a carga de km semanal, para tentar chegar aos 80km pelo menos uma ou duas vezes...

Neste momento já tenho um objectivo definido que é Terminar a Maratona! Claro que gostava de fazer um tempo minimamente decente, mas como será uma estreia e muitas variáveis interferem no desfecho, vou esperar mais umas semanas para tentar estabelecer o intervalo de tempo para o qual irei tentar correr...

Neste momento estou a meio da 2ª semana e está tudo a correr sobre rodas...

A primeira semana foi calma, com pouca carga e um longo de apenas 15km no domingo...

Vou tentando dar notícias e fazer um apanhado dos treinos pelo menos no final de cada fase do plano...

Bons treinos!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

7º Ultra Trail da Serra da Freita - 70km

Parque de campismo do Merujal, Serra da Freita, 30 de Junho de 2012


E foi com esta grande aventura que concluí o primeiro semestre de 2012 no que às corridas diz respeito... Inicialmente o grande objectivo deste primeiro semestre era o Ultra Trail de Sesimbra que concluí com sucesso, mas parece que não tinha ficado satisfeito e queria algo mais...

Ganhei coragem (porque vontade não me faltava) e inscrevi-me então no Ultra Trail da Serra da Freita cerca de um mês antes da prova. Prova esta que já vai na sua 7ª edição, dando a conhecer a Serra da Freita e o seu meio envolvente a quem lá se deslocar.

A prova, organizada pela Confraria Trotamontes e pelo Grupo Desportivo Leões do Veneza, contou com duas distâncias à escolha. Os 70km para os mais corajosos e bem preparados e os 17km para quem quisesse algo mais curto, mas  ao mesmo tempo desafiante.

Eu, claro está, aventurei-me nos 70km. A Carla ficou-se pelos nada fáceis 17km que incluíam a parte inicial e os últimos 5km da ultra, com direito ao famoso PR7 e tudo!

No dia anterior (sexta-feira) viajamos para o norte... Uma viagem de 330km, sempre cansativa, mas necessária. À noite dirigimos-nos ao parque de campismo para levantarmos os dorsais e assistirmos ao briefing.

Foto: Joana

No briefing o Moutinho falou principalmente acerca dos primeiros 40km da prova, que embora passando pelos mesmos pontos chave do ano passado, teriam alguns troços de ligação diferentes, com menos alcatrão e mais trilhos... Falou dos trilhos novos que tinham aberto, trilho do carteiro, trilho dos Incas, dos Aztecas e outros que não me lembro do nome... Falou da dureza da prova, subidas longas e bastante difíceis e da necessidade de controlarmos o ritmo nos primeiros 17km até ao rio...

Tivemos uma ideia do que seriam os abastecimentos, bem compostos e quem quisesse mais que levasse consigo...

Para quem ainda não soubesse foram falados os tempos limite de passagem em 3 pontos da prova: Covelo do Paivó (20km - 5h), Póvoa das Leiras (40km - 10h) e Lomba (59km - 15h).

Foi-nos dada a informação de quais seriam as marcações utilizadas e outros aspectos da prova...

Para mim o briefing serviu para me consciencializar, novamente, de quão dura seria a prova e da gestão do esforço que teria que ser feita para levar aquilo por diante...

Os objectivos que tinha traçado antes do briefing eram:

  • Objectivos principais: Chegar ao fim dentro do tempo limite (17h30), não partir nenhuma perna e tentar divertir-me!
  • Objectivo realista: Chegar antes da meia noite (16h de prova)
  • Objectivo já a puxar para o bom demais: Chegar antes das 22h (14h de prova)
Depois do briefing fiquei convencido que as 14h seriam difíceis, dada a dureza e tecnicidade da prova e o tempo que iríamos demorar para percorrer alguns troços mais complicados.

Altimetria de 2011, este ano com algumas alterações principalmente entre o km 28 e o km 40.

Mas lá fui para casa, dormir sobre o assunto e recarregar energias para o dia seguinte. Deitei-me já perto da 1h da manhã, custou-me a adormecer e levantei-me às 5h30! Passa pela cabeça de alguém ir fazer um trail de 70km com 4h de sono?! Só mesmo para malucos...

E não éramos poucos! Chegamos ao parque de campismo por volta das 7 e picos da manhã... Caía uma chuva miudinha e havia algum nevoeiro no ar... Já tínhamos os dorsais e os chips, decidimos ficar dentro do carro à espera da hora...

7h30 a chuva parou, fui equipar-me a ver se não me esquecia de nada... Passei no controlo do chip e aguardei calmamente pelo início da prova, sem aquecimento nem nada, não era preciso, tinha muito tempo para aquecer...

Frescura antes da partida. Foto: Carla.
Preparado para a luta. Foto: Carla
Sempre prevenido. Foto: Carla
Momentos antes da partida. Foto: Carla

Uns minutos depois das 8h é dada a partida e lá vão eles para 70km pela serra!

Optei por partir mesmo na cauda do pelotão... No início não queria grandes velocidades e partir no meio da confusão só iria fazer com que acelerasse demasiado no início e desperdiçasse energias preciosas...

Uns metros após a partida, na cauda do pelotão. Foto: Lina Branco Batista

Os primeiros km foram feitos em total descontracção, primeiro num caminho largo que nos levava até à Frecha da Mizarela para podermos contemplar o que nos esperava nos últimos km da prova... Só de olhar para aquele vale até mete medo e com o nevoeiro tornava-se num cenário quase que assustador...

Mas o caminho ainda não era para ali... Seguimos em direcção à aldeia de Albergaria da Serra, passamos por uns parques de merendas e atravessamos o rio Caima, mas ainda não foi desta que molhamos os pés...

Estes km iniciais não apresentavam grandes dificuldades, embora passássemos por uns caminhos mais estreitos, sobre pedras escorregadias, onde pude começar a observar as primeiras quedas da malta...

Havia muita gente a parar para guardar os corta-ventos nas mochilas e eu aos poucos fui ultrapassando alguns atletas...

O trilho acompanhava agora as margens do rio Caima, até que se deu o primeiro e único engano do dia... Uns 20 ou 30m fora do percurso, levado pela distracção e pelos atletas que seguiam à minha frente...

Depressa retomei o caminho certo e segui viagem... Olhei para trás a já via um grande grupo de 15 ou 20 atletas atrás de mim, mais alguns que ainda seguiam mais para trás...

Estávamos no planalto da serra, praticamente nos 1000m de altitude, com o dia a nascer, o nevoeiro mais baixo tinha desaparecido, mas o céu estava coberto de nuvens... Já íamos vendo algumas cabras e as típicas vacas arouquesas a despertar para o dia...

As típicas vacas de raça arouquesa. Foto: Carla

O terreno à nossa frente era em ligeira subida, pelo que decidi preparar os bastões e colocá-los em acção... Estava a pensar só os começar a utilizar após a parte do rio, mas ia ali com eles na mão, ao menos iam trabalhando... Lá os "estiquei" e fui progredindo...

Até aos 6 km fomos sempre em ligeira subida... Aqui estava já o Moutinho, num cruzamento, a descarregar garrafões de água que mais tarde iriam servir de abastecimento aos atletas da corrida... Ao passarmos ainda nos foi avisando para termos cuidado na descida porque era muito fácil, demasiado fácil para os km que ainda nos faltavam...

A partir daqui começamos a descer por um estradão largo... Fui sempre controlando o ritmo, devagar devagarinho, como se fosse num passeio... Ainda parei a meio da descida para contemplar o vale onde seguíamos...

Até +/- ao km 9 a descida fez-se bem, sem grandes dificuldades... Aqui apanhámos um trilho muito engraçado, escondido no meio das árvores, que acompanhava uma levada de água até à aldeia de Tebilhão...

Na aldeia vejo uma atleta a voltar para trás a caminhar... Perguntei-lhe se estava tudo bem, respondeu-me que sim... Fiquei a pensar que talvez tivesse perdido o chip e estivesse à procura dele... Mais à frente cruzo-me com mais 3 ou 4 atletas a voltar para trás e pergunto o que se passa, dizem que vão ter com a Patrícia... Mais tarde vim a saber que a atleta caiu, ficou mal tratada dos joelhos e veio a desistir... na altura deveria ser a 4ª ou 5ª mulher...

A seguir a Tebilhão descemos mais um bocado, e apanhámos uma pequena subida até à aldeia de Cabreiros ao km 12, onde se encontrava o 1º controlo... Não havia ninguém junto do controlo, mas pelas informações em cartazes no local, era mesmo para colocarmos os chip... Os chips eram daqueles da orientação... Lá inseri o chip no leitor e segui viagem...

Aos 12km... Antes do 1º controlo... (Foto: José Brito)

Aqui tinha início a 2ª parte da descida... Um troço com bastante inclinação, em que era necessário muita calma para descer devagar, de forma a não massacrar desde já os músculos das coxas...

Fiz a descida praticamente toda com o Francisco Mira Gaio... Claramente esta não era a posição dele, atleta que está habituado aos lugares da frente e a ritmos bastante mais rápidos... Mas ia com queixas nos gémeos e nos pés e estava a pensar desistir no próximo abastecimento... Lá fomos conversando por ali abaixo até chegarmos ao rio de Frades onde ele ficou com as pernas de molho a ver se as dores aliviavam...

Aqui, aos 14km, no rio de Frades, tivemos uma amostra do que seria o Paivó lá mais à frente... Fizemos uns metros no rio, cruzando-o uma ou duas vezes... Nada de complicado, o leito do rio era baixo, com algumas pedras fora de água e nesta altura ainda tentava ver qual era a melhor forma de o atravessar sem molhar os pés...

Saímos do rio, subimos uns metros e damos de caras com o famoso túnel que o Moutinho nos tinha falado no briefing! O túnel tinha talvez uns 80 ou 100m, e era impossível de se fazer sem recorrer à luz do frontal, pelo menos era o que diziam... Como lá chegamos de surpresa, não ia preparado com o frontal... Como também não tinha muita vontade de o tirar da mochila decidi seguir dois atletas que iam com luz...

Pelo que pesquisei o túnel era usado nas antigas minas de Volfrâmio do rio de frades e o seu piso é excelente, pelo que por aqui não havia problema... O problema surgiu quando os dois atletas que seguiam à minha frente se começaram a distanciar e eu fiquei sem luz, mais ou menos a meio do túnel... Totalmente às escuras, só via um pontinho de luz literalmente ao fundo do túnel... Pois bem, não tinha outra hipótese que não fosse avançar... Usei os bastões e fui "apalpando" terreno à minha frente e dos lados para ver se não batia em nada... Fui-me aproximando do final do túnel e uns metros antes da saída consigo evitar uma cabeçada no tecto e uma pedra que se encontrava mesmo no meio do caminho, ainda agora não sei bem como...

Saio do túnel e respiro de alívio depois de o ter conseguido ultrapassar sem luz e sem nenhum acidente... Olho à minha volta e começo a ver as ruínas das antigas minas de Volfrâmio de Rio de Frades nas margens do rio, que outrora forneceram minério aos alemães para a I e II Guerras Mundiais... São lugares com muita história, mas naquele momento não tinha tempo para isso, mas hei-de lá voltar brevemente...

Atravessamos a aldeia de Rio de Frades fazendo umas centenas de metros em alcatrão e entramos novamente nos trilhos... Passamos uma zona de eucaliptal, com vários obstáculos a dificultar a progressão e entramos novamente no alcatrão...

Umas centenas de metros em alcatrão e sabia que a entrada no rio Paivó estava à porta... Virámos à esquerda para uma descida em terra e já se via o rio lá em baixo...

Entramos no rio aos 17,8km a só haveríamos de lá sair aos 20,5km... Foram quase 3km de espectáculo principalmente de equilibrismo...

Ao início tentei seguir os atletas que iam à minha frente, tentando ir pelas rochas das margens... Mas estávamos num vale, onde o sol ainda mal tinha aparecido e as rochas, mesmo aquelas que estavam fora de água, estavam húmidas e escorregadias... Dei as primeiras escorregadelas, mas consegui manter-me de pé...

Mais à frente estava farto de saltar de rocha em rocha e decidi aventurar-me pela água... Fiz uns metros dentro de água mas esta opção também acarretava os seus riscos... O leito do rio era bastante irregular, com bastantes rochas também elas escorregadias devido ao lodo...

Regressei a "terra"... Quando menos esperava, numa rocha lisa, demasiado lisa, escorrego e estatelo-me na rocha e por pouco não fui directo à água... Caí de lado... Fiquei logo com bastantes dores no cotovelo direito e na anca direita... Balbuciei uns palavrões e levantei-me calmamente, avaliando os estragos... Dava para continuar, que remédio...

Tentei continuar, com cuidados redobrados, mas as escorregadelas dentro e fora de água começaram a ser uma constante... Até se tornou engraçado, não fossem as mazelas começarem a aparecer...

Apanho um pequeno troço numa margem que dava para correr e dou um trotezinho... Faço uns metros e pimba!!! Uma valente canelada numa rocha que estava escondida atrás dumas ervas! Atirei-me logo para o chão cheio de dores e vociferei toda uma panóplia de palavrões, obscenidades e afins...

De realçar que os dois atletas que seguiam perto de mim de imediato perguntaram se estava tudo bem... Claro que não estava tudo bem, mas fiquei agradecido por demonstrarem preocupação... Fiquei uns segundos sentado a avaliar os estragos e fui tentando levantar-me... A ferida não era grande, mas a pancada foi bastante forte e a minha sorte foi ser mesmo abaixo do joelho, porque se fosse no joelho estava tudo acabado para mim... Continuei com dores, ainda a quente, mas sabendo que dali a umas horas aquilo ia inchar e começar a doer ainda mais... Vá lá que não sangrou muito...

Nesta altura era esta a música que tinha na cabeça... hehe Uma que o Vitorino Coragem tinha colocado no facebook uns dias antes da prova para dar força a quem fosse à Freita...

Pronto, depois disto já era difícil piorar... Mas ainda era possível... Ao transpor uma rocha com poucos apoios na margem do rio, escorreguei e fui parar dentro de água, ficando com água pelo peito... Medonhos aqueles segundos em que estamos a entrar na água e os pés nunca mais tocam no fundo! Valeu-me um atleta que me esticou os seus bastões para eu agarrar e me ajudou a subir...

Mais à frente tivemos que atravessar o rio de uma margem para a outra numa zona em que não havia nada que nos ajudasse a atravessar a não ser um tronco que ligava as duas margens... Quando cheguei ao local estavam uns 5 ou 6 atletas a ver como é que iam fazer... Depois de avaliar a situação vi que a melhor opção era ir a nado, mas como as minhas habilidades aquáticas não são grande coisa, tive que ir a nado, mas agarrado ao tronco... Prendi os bastões na mochila, "amandei-me" à água e agarrei-me ao tronco... Fui batendo os pés e progredindo até que... Tau!!! Uma patada numa rocha! Aqui já tinha esgotado todo o meu vocabulário no que a palavrões diz respeito, por isso só me restou chegar à outra margem, levantar-me e continuar...

Estes foram os grandes percalços do rio... Foram cerca de 2,5km em 53min, o que dá uma média de mais de 21min/km! Saí de lá inteiro, mas mais tarde viria a sofrer as consequências dos pequenos acidentes...

À saída do rio Paivó, subimos uma pequena barreira até chegarmos a uma estrada... No alcatrão, a descer, fiquei admirado de como ainda conseguia correr, praticamente sem dores...

Umas centenas de metros em alcatrão e estávamos no primeiro abastecimento em Covelo de Paivó, aos 20km... Aqui ia com 3h30 de prova e ainda só tinha dado umas dentadas numa barra que levava comigo... Aproveitei para alimentar-me bem porque o próximo abastecimento (28km) era só líquidos e depois só tínhamos sólidos aos 40km... Comi de tudo o que havia e no final enchi o reservatório da água para seguir viagem... Despi o corta vento, dado que a temperatura já estava mais agradável, tirei as pedras das sapatilhas e ala que se faz tarde...

Saímos de Covelo de Paivó e seguimos por uma estrada rural, depois num estradão onde tivemos que abrandar o passo para nos cruzarmos com 2 vacas arouquesas sem as assustar...

Aos 22km o terreno começou a inclinar e vi que ia começar a festa... O trilho era bastante bonito, piso com pedras ali colocadas pelo homem à muitos anos e uma vista lindíssima... Mais à frente abandonamos esse trilho de progressão fácil e começamos a subir a subir pelo meio do mato, num trilho recentemente aberto, de difícil progressão e com uma inclinação brutal! Em 700m de distância subimos cerca de 190m de desnível, praticamente 30% de inclinação...

O suor corria-me pela testa e pela cara e pingava-me pelo nariz e pelo queixo... Até aqui tinha sido uma brincadeira... Agora é que começava a festa rija! Os bastões trabalhavam mais que nunca e ajudavam-me a subir sem ter que suportar todo o meu peso com as pernas... Era como se estivesse a subir agarrado a uma corda...

Vencida que estava esta etapa continuamos a subir até Regoufe, mas agora com muito menos inclinação... Aproveitei que tinha rede no telemóvel para mandar mensagem ao mister João Carlos Correia a dar o ponto da situação... Recebi uma mensagem de incentivo e a informação de que a transmissão online da prova não estaria a funcionar...

"Visitamos" Regoufe mesmo só de passagem, mas deu para ver a beleza característica destas aldeias da Serra da Freita e ainda para beber água numa torneira ao pé dumas casas...

À saída de Regoufe começamos novamente a subir, mas desta vez apenas tínhamos a inclinação como adversária, já que o trilho era amplo e sem obstáculos...

Chegado lá acima, uma vista ampla, serras e vales de perder de vista que nos mostram toda a sua imensidão... Para trás ficava Regoufe, seguíamos agora em direcção a Drave...

Aqui "apanhei" boleia de um atleta, Emílio Vilas Boas que me acompanharia durante grande parte do resto da prova... Começamos a descer para Drave... O caminho aqui era fácil... Um estradão largo que literalmente cortava a encosta, nada a condizer com a beleza da serra, mas pronto...

Fomos conversando e trocando algumas impressões, até que chegamos a Drave, uma aldeia que para mim tinha um significado especial... Já lá tinha estado em criança, com uns 10 ou 11 anos, quando ainda lá vivia gente... Agora não tem residentes fixos, mas é a base de um grupo de escuteiros...

Na altura o que interessava é que era lá o 2º abastecimento, aos 28km... Apenas havia líquidos, bebi um pouco de tudo o que havia, enchi o "cantil" e segui...

Continuei de novo com o Emílio, que tinha um ritmo parecido ao meu e se revelou uma excelente companhia...

Em 2011 o percurso à saída de Drave era logo a subir, mas este ano foi diferente... Seguimos o leito de um rio, que nesta fase se encontrava quase seco... A progressão tinha que ser cuidadosa, mas nem se comparava aqueles km no Paivó... Aliás, aqui também era o rio Paivó, só que estávamos mais a montante...

Mais à frente é que o rio começou a ter mais caudal, mas aqui dava para seguir mais nas margens e menos dentro de água... E as pedras das margens também não estavam tão escorregadias, por isso o número de quedas/km não foi tão elevado...

Depois de termos molhado os pés meia dúzia de vezes afastamos-nos do rio e subimos um bocadito, fazendo uns 3km na encosta, para depois voltarmos a descer até ao rio... Pelo caminho passamos por umas casas muito arcaicas que se confundiam com currais para guardar as cabras... Qual não é o meu espanto quando ao passarmos por uma dessas casas ouço um "boa tarde", olho para a esquerda e vejo um senhor num canto à sombra, sentado num banco, com uma pequena mesa à frente e um prato já vazio, escorrendo a última pinga de tinto do copo... Ali perdido no meio da serra tinha terminado o seu almoço e eu lembrei-me que ainda não tinha almoçado... Agarro a barra que tinha aberto antes e vou dando cabo dela à medida que vamos avançando...

Começamos a descer para o rio e começo a sentir algumas dores na canela direita, na zona da ferida e também no pé direito, na parte da frente, um bocado acima do peito do pé... O meu lado direito está todo escavacado...

Vou dizendo para o Emílio que já não temos uma grande subida à muito tempo... Isto o ano passado subia mais a seguir a Drave... Agora estamos a andar muito em plano, o que quer dizer que quando subirmos vai ser mesmo a valer!

Entrámos no rio... Aqui já havia mais água e até alguns pequenos lagos, onde até sei que houve pessoal que aproveitou para dar uns mergulhos... Quando já estávamos prestes a sair do rio... Taruz!!! Mais uma queda! Numa das várias vezes em que entramos na água, meto o pé numa pedra escorregadia e não tive hipótese... Caí com o cu no chão, meio de lado... Qual lado? O direito... Bati mais uma vez com a anca e fiquei um bocado à rasca... Mas lá me levantei, aproveitei que estava na água para lavar as feridas e refrescar as pernas...

Mais à frente saímos do rio e acabaram-se as fitas! As fitas da Asics que tínhamos seguido até aqui desapareceram... Apenas haviam umas fitas brancas da EDP a subir pela serra fora... O Moutinho disse claramente no briefing para seguirmos as fitas da Asics e outras diferentes que estariam só a partir do km 60, por isso não podiam ser aquelas brancas... Olhei em redor e não via fitas da Asics para lado nenhum... As únicas fitas que haviam eram aquelas brancas... O trilho por acaso estava marcado da passagem de outros atletas e o grupo que seguia comigo já tinha começado a subir, mas eu estava na dúvida...

Não tinha rede no telemóvel para ligar ao Moutinho e também não podia ficar ali parado... Comecei a subir e a seguir as fitas brancas... Ia na dúvida, sempre olhando para trás a ver se via fitas azuis da Asics noutro local qualquer...

Ia olhando também para cima e o Emílio e o grupo onde eu seguia inicialmente já ia lá longe, mas estava determinado a recuperar o tempo perdido... Subia a um bom ritmo, sempre com os bastões em acção e aos poucos fui alcançando o pessoal que ia à minha frente... Até que apanhei rede no telemóvel e decidi ligar ao Moutinho para esclarecer a situação... O caminho era mesmo por ali, as fitas eram mesmo aquelas, ele é que se esqueceu de avisar que aquele troço estava marcado com fitas diferentes... Ok, siga a marinha! Aviso o pessoal que ia perto de mim que íamos no caminho certo e continuo a galgar terreno por ali acima...

Enquanto escrevia uma mensagem ao mister recebo um telefonema seu... Falamos durante uns minutos, digo-lhe mais ou menos como e onde estou, recebo força do outro lado e continuo a subida...

Mais à frente apareceram novamente as fitas da Asics e alcancei o Emílio... "Recuperas-te bem!" disse ele... "Vim sempre a dar-lhe!" respondi-lhe. Seguimos novamente em duo até que terminamos a dura subida que é apelidada a "subida dos 3 pinheiros", porque naquela encosta toda apenas temos 3 pinheiros perdidos lá no meio...

Subida dos 3 pinheiros, longa longa, com as 3 benditas árvores lá no meio... Foto: Trekking Portugal

Chegamos ao final da subida e metemos pelo trilho que nos levaria à Póvoa das Leiras... Esta tinha sido, para mim, a subida mais dura até agora... Em 2100m de distância subimos quase 400m de desnível, praticamente 20% de inclinação, com a primeira metade da subida muito mais difícil que a segunda...

Também gostei bastante deste trilho que nos levava à Póvoa das Leiras... Muito panorâmico e certamente com muita história para contar...

Panorâmica do trilho que nos levaria à Póvoa das Leiras. Foto: proaventuras
Um belo trilho! Com o Emílio. Foto: proaventuras

Entramos no alcatrão e depois foi só descer até ao abastecimento... Antes do abastecimento vejo o pré-abastecimento ;) umas minis à nossa espera dentro de água... Agarrei logo numa e esvaziei-a em dois goles! Fiz o controlo do chip e do material obrigatório, tudo em ordem! Toca a abastecer!

O pré-abastecimento ;) Foto: proaventuras

Sei que comi muita coisa, mas o que me ficou mais na memória foi aquele chouriço assado! Uhmm... E as azeitonas... Xiii Tava capaz de beber outra mini... hehe

Um brinde? Foto: Lina Branco Batista
Fresquinha! Foto: Lina Branco Batista

Mas tínhamos que seguir viagem... Lá segui com o Emílio, descemos mais um bocado... Passamos por uns terrenos agrícolas onde os locais laboravam, uns admirados quando viam algum atleta, outros indiferentes, porque quer haja ultra ou não a vida deles não muda e o trabalho continua...

Fizemos este troço até ao Candal quase sempre a correr porque o terreno ajudava e o abastecimento tinha-nos dado novas forças... Mas quando começamos a subir acabaram-se as forças... Eram 15h30 +/- e apesar de não estar um dia muito quente o sol estava lá no alto e ameaçava fazer estragos...

Começamos a subir e eu que até aqui me tinha safado bem nas subidas tive que penar um bocado nesta... O terreno não era mau, o piso tinha pedras grandes e por vezes alguns troços mais difíceis, mas a inclinação mata qualquer um e com aquele calor... Deixei o Emílio seguir na frente e fui tentando acompanhá-lo... Ainda tive que parar umas duas vezes durante uns segundos para ganhar fôlego... Fui comendo umas azeitonas que tinha trazido do abastecimento e bebendo muita água, até que começamos a avistar outros atletas à nossa frente... Nós podíamos vir mal, mas não éramos os que estavam pior...

E chegamos lá acima, ao ponto mais alto da prova, 1080m! Subimos 400m em 2,5km de distância, cerca de 16% de inclinação... Esta foi a subida que me custou mais a fazer durante a prova toda... Provavelmente não foi a mais longa nem a mais inclinada, mas foi na altura que estava mais calor e isso fez toda a diferença...

Aqui o Emílio avistou um colega dele que seguia umas centenas de metros à frente e foi no seu encalço... Ainda me incentivou para o acompanhar, mas eu não estava capaz... A subida tinha dado cabo de mim e embora o terreno agora fosse a descer, começava a sentir bastantes dores na canela e no pé direito... Nas subidas praticamente não sentia dores nenhumas, mas nas descidas, com o impacto e o próprio peso do corpo, tinha que ir com calma...

Daqui até ao abastecimento dos 50km em Manhouce foi sempre a descer, o que significa que foi sempre a passo e com jeitinho... Desci por uma encosta que praticamente é toda de pedra, não havia um bocado de terra para meter os pés... Passei por umas aldeias, uns troços de alcatrão e sabia que estava a chegar ao abastecimento... Corria nas partes mais planas, que era onde conseguia...

No abastecimento sabia que tinha lá a minha família à espera, a minha mãe, a minha irmã e a minha namorada Carla que já tinha feito os 17km... Quando faço uma curva e vejo o abastecimento lá ao fundo e elas a gritarem por mim, até me vieram as lágrimas ao olhos, mas consegui-me controlar... A Carla veio a correr para mim, deu-me um abraço e só me apetecia ficar ali abraçado, com ela a suportar o meu peso claro, de tão cansado que estava... hehe

O reencontro... Foto: Joana
Foto: Joana
A felicidade da mãe... e do filho! Foto: Joana

Seguimos até ao abastecimento... A minha mãe estava eufórica! Nunca tinha visto o filho a correr numa prova e nem conseguia perceber muito bem como é que havia gente que "corria" 70km pela serra, com subidas e descidas, durante horas e horas e vinham de longe, no dia anterior... Mas para quê? O que é certo é que foi um apoio fundamental... No fundo deveria estar preocupadíssima comigo, mas transmitiu-me uma força enorme, a mim e a outros atletas...

Foto: proaventuras
Com a Carla. Foto: Joana
Com a mãe. Foto: Joana

Tirei umas fotos e lá me despedi delas, que não podia ficar ali o dia todo... Saí do abastecimento com 9h20 e 49km no Garmin, média de 11.25min/km... Se isto desse os 70km, ainda me faltavam 21km e podia fazê-los a uma média pior que ainda chegava antes das 14h de prova... Mas ainda tinha 2 grandes subidas e depois o PR7, o que poderia piorar bastante a média, mas isto era eu a fazer contas de cabeça...

A seguir ao abastecimento ainda desci um bom bocado, ia agora sozinho... Atravessei uns terrenos agrícolas, uns riachos, andei dentro de uma levada de água com água até à cintura, entrei num eucaliptal e tive que parar... A coca-cola que tinha bebido no abastecimento estava a dar-me vómitos... Ia vomitando, mas afinal não, foram só grandes arrotos... Ainda bem que ia sozinho... hehe

Comecei a subir novamente... A subir sentia-me bem, não me doía nada... E com os bastões a ajudar, parecia um tractor com tracção às 4 rodas...

Nesta altura da prova ia com esta música na cabeça, aliás, a partir da parte do rio veio-me este refrão à cabeça e nunca mais o consegui largar...

Com 10h de prova, o Garmin começou a perder a vida, "baterias fracas" dizia ele... Coitado, também já trabalhava à muitas horas e eu não lhe tinha ligado nenhuma... Lá o liguei ao carregador portátil a ver se o mantinha vivo...

Continuei a subir, a subida não era muito difícil, a inclinação não era demasiada... Era uma subida constante, até chegarmos ao alcatrão lá no cimo... Comecei a descer, fiz 1km em alcatrão o que me permitiu correr, com um passinho muito curto, porque a perna direita queixava-se bastante...

Passei à aldeia de Agualva e continuei a descer, agora por uma encosta cheia de pedras, onde podia ver as cabras a circular muito bem, mas eu tinha que ir com cuidados redobrados... Nas zonas mais íngremes tinha que ir o pé esquerdo sempre à frente, porque o pé e a canela direita doíam-me bastante... Os bastões nesta altura foram fundamentais! Era como se fosse com duas canadianas...

Acabou-se a descida... Uff... Já estava na aldeia da Lomba, só tinha que subir um bocado até ao abastecimento... Lá consegui chegar, passei o chip no leitor, tirei a mochila, pousei os bastões, pus o Garmin a carregar, pedi uma bifana e deitei-me no chão... Mas tive que me levantar rapidamente, senão ali ficava deitado... Ei, já tinha saudades de comida a sério! Comi a bifana e se seguida uma canja carregada de sal... Bebi uns copos de coca-cola fresquinha e preparei-me para seguir viagem...

Ah bela bifana! Foto: Elisabete Martins
Foto: Elisabete Martins.

Recebi uma carrada de telefonemas, do mister a ver se eu já tinha morrido, da minha mãe (que já estava em casa) a ver se eu ainda estava vivo, da minha irmã a ver onde se poderiam cruzar comigo para avaliar o meu estado de degradação... lol "Aos 65km!" disse-lhe eu.

Saio do abastecimento com 11h10 de prova e (para meu espanto) 57,5km no Garmin quando deveriam ser 60km... Esta diferença deveu-se, provavelmente, às alterações que foram feitas ao percurso do ano passado para este ano... Ora, se a parte final do percurso é igual à do ano passado então faltam-me só 10km para a meta... Ou seja, ainda tenho 2h50 para fazer 10km, o que me dá margem para fazer média de 17min/km daqui para a frente e terminar sub14h!

Saí do abastecimento cheio de pica! Agora sentia que estava quase na meta! 10km pfff o que é isso?! Mas não eram uns 10km nada fáceis... E de relembrar que já levo quase 60 nas pernas...

Arranjei companhia e ataquei a subida com tudo o que tinha! Na fase inicial não era muito inclinada, mas no final tivemos que trepar um bocado... O sol já se estava a querer esconder e eu queria ver se conseguia chegar sem ter que ligar o frontal... A vista era fenomenal! No final da subida estávamos nos 1000m de altitude e podíamos ver em redor uma imensidão de picos, serras e vales lindíssimos com aquele pôr do sol...

3260m de subida em que ganhamos 460m de altitude, média de 14% de inclinação... Não foi a mais inclinada, mas penso que foi a mais longa...

Chegados ao planalto deixamos de ver fitas... Penso que não foi devido à falta delas, mas por a vegetação ser baixa e nós estarmos contra o sol, o que dificultava a visão... Vimos uma pendurada num sinal de trânsito uns 150m à frente... Seguimos para lá e depois já não houve dúvidas...

Entrámos no trilho que nos levaria à Castenheira, aldeia onde estava o último abastecimento aos 63km no meu Garmin... Vejo o meu pai à minha espera uns metros antes do abastecimento... Muito mais calmo que a minha mãe, menos efusivo, mas não menos orgulhoso!

Bem escoltado! Foto: Joana
Seguimos até ao abastecimento e aqui é que reparei que não tinha bebido praticamente nada desde o último abastecimento e já não enchia o reservatório da mochila desde os 50km. A temperatura agora estava mais fresca e o manjar na Lomba tirou-me a fome e a sede...

Com a irmã. Foto: Carla

Aqui apenas bebi uns copos de isotónico... Resolvi vestir o corta vento, porque estava a escurecer e a temperatura a baixar rapidamente... Saí do abastecimento com 12h20 e faltavam-me cerca de 5km... Tinha 1h40 para cumprir o objectivo das 14h!

Preparado para o assalto final. Foto: Joana

Rapidamente alcancei o meu companheiro da subida anterior, Rui Maia, e lá fomos nós até ao PR7... O PR7 é um percurso pedestre com cerca de 7km de seu nome "Nas Escarpas da Mizarela"... Penso que o nome diz quase tudo...Aqui na prova iríamos fazer cerca de 4km do PR7, 3km junto à Frecha da Mizarela (uma das mais altas cascatas da Europa) e mais 1km na chegada à meta...

E porquê tanto alarido em volta do PR7?! Porque aqueles 3km em redor da Frecha da Mizarela são diabólicos! É impossível correr, pelo menos em segurança e a tecnicidade do terreno é de altíssimo nível...

Quando comecei a ver as marcas do percurso pedestre disse logo para o meu colega "Olha, estamos a entrar no PR7!" ao que ele me respondeu "O quê?! O que é isso?!" eu só lhe disse "É um percurso pedestre bastante técnico, temos que ir até ali abaixo e voltar a subir para o outro lado..." Depois deixei-o descobrir por ele próprio...

Eu já conhecia o percurso, já o tinha feito aqui, mas no sentido inverso... Agora fazê-lo numa prova, já com mais de 65km nas pernas, com a noite a cair... Devo dizer que deu-me imenso gozo e apesar do cansaço acumulado adorei o troço e sem isto a Freita não era a mesma coisa...

No final do PR7, escondidos na encosta, no meio das árvores, a luz já não era muita... Mas estávamos quase a chegar à estrada e não me apetecia ligar o frontal... Chegamos à estrada e estava feito... Aqui já nada me impedia de chegar à meta...

Só para ficarem com uma ideia deste troço do PR7 deixo aqui alguns dados:

Distância: 2,72km
Desnível: D-240m/D+240m
Duração: 56min
Média: 20.35min/km

 Durinho durinho...

Foto: Joana

Frecha da Mizarela. Foto: Joana
A vontade de chegar... Foto: Joana.

Subimos até entrarmos novamente no caminho que fazia ligação ao parque de campismo... Faltava cerca de 1km que foi feito já quase em total escuridão...

100m para a meta, anunciam os nossos nomes e começo a ouvir a festa da minha família! Cruzo o pórtico, faço a leitura do chip e já está!

Venci a Freita!

Ai, que canseira... :) Foto: Joana
Tá feita! Foto: Carla

13h 32min e 25s depois de ter partido, estou de regresso ao mesmo local, super contente e satisfeito por ter conseguido chegar ao fim! Mas mais contente ainda por ter tido a oportunidade de passear pela Freita, conhecendo várias aldeias recônditas, passando por lugares onde pouca gente passa, ver aquelas vistas, respirar aquele ar da serra e reviver algumas memórias de infância... Tudo isto porque, como se costuma dizer no mundo da ultra distância, "O mais importante não é a meta, mas sim o caminho que percorremos para lá chegar"

E como devem ter reparado, não foi fácil chegar ao fim... Apesar de ter cumprido o meu objectivo mais ambicioso, ainda agora não percebo bem como consegui manter uma mentalidade positiva durante toda a prova apesar das quedas, do desconforto e das dores... A presença da família no terreno, além das mensagens e telefonemas de apoio do pessoal do ACP, foram preciosos para não desanimar! Além disso, os bastões foram importantíssimos para me suportar quando as forças fraquejavam...

É como disse já várias vezes... Num trail com distâncias maiores que os 40km e duração superior às 6 ou 7h, a mente é tanto ou mais importante que o corpo! Nesta minha prova, fiz os primeiros 40km com o corpo... O resto foi feito com a cabeça a dizer ao corpo para andar para a frente...

Resultados

Alguns dados da minha prova: 

Distância: 67,67km

Tempo: 13h33m03s

Ganho de elevação: 3464m

Perda de elevação: 3455m

Cadência média: 12:01min/km

Podem ver o track aqui no Endomondo ou então no Garmin Conect.

T-shirt da prova, dorsal, prato de lembrança e a minha cábula com a altimetria.

O vencedor masculino e da geral foi o Luís Mota (ACR de Santa Cita - Tomar) que fez o percurso em menos 4h37min que eu, precisando de apenas 8h55 para chegar à meta, ele que dizia que ia lá só passear...

A vencedora feminina foi a Carmen Pires (ACS Mamede) que terminou no 31º lugar da geral com um tempo de 11h46.

Eu terminei em 63º de 129 atletas chegados à meta (houve 38 desistências) e 41º de 72 nos seniores masculinos com um tempo oficial de 13h 32.25

Em relação à organização da prova, eu pessoalmente não tenho grandes falhas a apontar... A marcação estava razoável, o suficiente para ninguém se perder, tirando aquele pormenor das fitas diferentes...

Os abastecimentos estavam bem compostos, sem esquecer as bifanas e a canjinha quente que soube muito bem...

Houve alguma confusão na entrega dos sacos com os dorsais e os chips, mas isso compreende-se que a culpa não foi da organização, têm é que rever a quem encomendam esse material, as datas em que fazem a encomenda e a data em que ele vos chega às mãos, porque receberem os dorsais e os chips poucas horas antes do início da prova é no mínimo arriscado...

Houve alguma falta de apoio a nível de bombeiros, o que transmitiu um sentimento de insegurança a muita gente... A organização também já se justificou dizendo que os bombeiros requisitados não compareceram e não avisaram, mas uma malinha de primeiros socorros com umas compressas, betadine e adesivo é o suficiente para desinfectar uma ferida, e isso poderia e deveria haver em todos os postos de abastecimento...

Eu tomei banho de água quente e jantei minimamente bem, mas houve pessoal da corrida que tomou banho de água fria, esperou eternidades para almoçar e teve que comer de pé sem grandes condições...

O preço das inscrições... 45€ até se aceita, mas é para inscrições nos últimos dias do prazo... Deveriam ter inscrições mais baratas para quem se inscreve-se com antecedência... Talvez se tivessem inscrições a 20 ou 30€ para quem se inscreve-se com antecedência, tinham esgotado as inscrições e até ganhavam mais...

A hora da partida... Para um tempo limite de 17h30, podiam fazer a partida mais cedo, tipo 6 da manhã... Os primeiros chegavam às 15/16h e os últimos chegavam antes das 23h30, apanhando apenas umas 2h de noite e com pouca gente a fazer o PR7 de noite...

O percurso é lindíssimo e durinho como a gente gosta... Houve muita gente a reclamar da parte do rio e do PR7 à noite ser perigoso... Claro que é perigoso, mas aí cabe-nos a nós atletas termos cuidados redobrados para minimizarmos o risco... Uma queda ou outra é normal, um pé torcido, uns arranhões, faz parte...
Eu não tirava a parte do rio nem o PR7! É isso que caracteriza a Freita! E quem lá vai já sabe ao que vai... Vi gente que não tinha a mínima noção da altimetria e do tipo de terreno que ia encontrar...
Tenho a certeza que para 2013 a organização vai colmatar as falhas que surgiram e para quem gostar deste tipo de terreno, esta é a prova!

Fico-me por aqui, que isto foi longo... Acho que demorei mais tempo a escrever o relato do que a fazer a prova... Mas cá está, para lerem e desfrutarem!

Abraço e bons treinos!

terça-feira, 26 de junho de 2012

3º Trilhos Loucos da Reixida - 19km

Reixida, Leiria

24 de Junho de 2012

Cartaz da prova

Boa hora aquela em que me decidi a participar na prova de trilhos mais louca do país e arredores!

Quem se deslocou até à Reixida no passado domingo com certeza não deu o dia por mal empregue... A organização, a cargo da Associação Cultural Recreativa e Desportiva da Reixida, está de parabéns, já que conseguiu proporcionar a todos uma excelente prova, trilhos realmente loucos, um belo almoço e muita diversão!

Do Atletismo Clube de Portalegre fomos 6 atletas...

João Carlos, eu, Vitorina, Pedro, Sérgio e J. Serra. Foto: ACP

O dia prometia ser quente, mas para quem "convive" com os 40º alentejanos no dia-a-dia não havia de ser nada...

Chegados à Reixida começou logo a sentir-se o ambiente de festa na aldeia, onde toda a comunidade parecia estar envolvida... As cozinheiras já preparavam o almoço, mas ainda não era hora dele, primeiro tínhamos que fazer por o merecer...

Levantamos os dorsais, equipamos-nos e estava quase na hora... Não tinha muita vontade, mas lá fui dar uma voltinha para aquecer...

Altimetria da prova

Ouvimos os últimos conselhos do speaker e estávamos prontos para a partida!

Speaker na arquibancada. Foto: CCD O Alvitejo
Foto: organização

É dada a partida e começamos logo a subir até ao cimo da aldeia para darmos uma volta e ficarmos a conhecer, porque "a aldeia não é só aqui em baixo, também mora gente lá pra cima"...

Passamos novamente pelo local da partida e lá nos metemos nos trilhos... Primeiro em estradões junto ao rio passando pelo local onde era indicado que ali nasce o rio Lis...

Até aqui segui com o Sérgio e o João Carlos... Ao 3º km quando começamos a subir nos trilhos mais estreitos apanhámos o Serra e eu como me sentia bem tentei manter um bom ritmo na subida...

Ainda descemos um bocado, mas depressa se percebeu que esta parte inicial ia ser dura e sempre a subir até às Antenas...

Antes dos 5km tivemos o primeiro abastecimento, só de água... Eu como não levava nada comigo tive que parar e bebi meio copo de água... Apesar de ainda não sentir sede, tinha que beber, senão ia ser a morte do artista lá mais 'pró fim...

Estávamos a meio da subida e o terreno ia ficando cada vez mais inclinado... Tão inclinado que a "parede" final nos levou desde os 300m de altitude aos 420 em apenas 360m de distância... Coisa para andar aí entre os 30 e os 35% de inclinação...

Nesta parte mais inclinada comecei a sentir as dores nos gémeos que me têm atormentado nas últimas provas, mas já percebi que só se manifestam mais quando o terreno é a subir e tenho que forçar os gémeos...

Chegamos ao topo e tivemos o 2º abastecimento, água e marmelada... Encontrei o Fernando Fonseca que me deu os parabéns pelo blog e pelos relatos, os quais lhe agradeci e agradeço novamente!

Segui viagem e levava nesta altura uns 6,5km... Sabia que a pior subida já estava feita e daqui para a frente apenas haviam umas pequenas rampas, "no big deal"!

Os km que se seguiram foram um sobe e desce constante, onde corri a alta velocidade nas descidas e a maioria das subidas fiz também a correr...

Um destaque especial para o Trilho da Maunça mais ou menos ao km 9 (penso eu), que me pareceu que tinha sido um trilho aberto à pouco tempo... Estreito, com vegetação baixa, piso em terra mole... Deu-me um gozo especial acelerar por ali abaixo!

Antes do km 12, mais um abastecimento, ali a meio de uma subida...

Continuei a subir a correr, já restabelecido de forças e vejo o Vitorino Coragem uns metros à minha frente... Mais à frente consegui alcança-lo quando ele parou numa "cascata" artificial, ali colocada pela organização, para se refrescar da cabeça aos pés... Este pessoal da Reixida é mesmo louco! :)

Eu não fui tão ousado e apenas molhei o boné e segui viagem...

Começamos então a descer por trilhos altamente loucos, cheios de curvas e arbustos e pedras e perdi o Vitorino de vista... Os joelhos começaram a queixar-se e a dizerem-me para abrandar na descida... Lá me lembrei que o grande desafio é no dia 30 e que a Reixida era só uma brincadeira para desanuviar e então abrandei o ritmo...

Mais um abastecimento de água aos 14,5km e a partir daqui foi sempre a gerir, sem abusar...

Continuei a descer, já começava a cheirar a meta, mas ainda tínhamos uma última subida pela frente... Não era muito inclinada, mas o piso requeria cuidados redobrados e até houve uma zona em que tivemos que progredir com a ajuda de cordas...

Na última subida. Foto: Licinio Florencio

Mais uma descida, mais uma subida e começamos a aproximar-nos da povoação... Até que finalmente, o momento pelo qual eu tanto ansiei! O rio Lis! Ai que bem que soube aquela água fresquinha!

Nas águas do Lis. Foto: organização

Fizemos uns 100m na água, saímos e mais à frente voltamos a entrar para nos despedirmos do rio Lis e rumarmos à meta!

E já está! Mais uma para o currículo!

Os Trilhos Loucos da Reixida fizeram jus ao nome e, pelo menos a mim, não me desiludiram!

Já com o dever cumprido! Foto: Vitorina
Foto: Vitorina

De seguida fomos ao banho e ao merecido almoço que estava 5 estrelas!

Na entrega dos prémios pudemos ainda aplaudir a Vitorina que venceu na geral femnina!

O vencedor masculino e da geral foi o Albino Magalhães precisando de pouco mais de 1h36 para completar o percurso.

Eu terminei em 81º de 250 atletas chegados à meta e 38º de 101 nos seniores masculinos com um tempo de 2h 17.45.


Alguns dados da minha prova:

Distância: 19,60km

Tempo: 2h17m43s

Ganho de elevação: 704m

Cadência média: 7:02min/km

A prova correu mais ou menos como esperava... Abusei em algumas partes, mas sempre com a cabeça na Freita, sem nunca comprometer nada... A dor nos gémeos continua cá, mas já sei como lidar com ela, são umas contracturas que não querem desaparecer...

Em relação à organização da prova, não há grande coisa a acrescentar... Uma organização humilde, com gente empenhada, que tenta dar e mostrar o melhor que tem! Recomendo, sem dúvida!

domingo, 17 de junho de 2012

Objectivo: Freita! - "Ai, como é que eu vou fazer 70km D+4200m!?"

Com calma! Muita calma! É assim que eu espero conseguir concluir o UTSFreita!

Mas já lá vamos... Primeiro vou falar acerca do treino de hoje... Foram 42km com D+1400m pela Serra de S. Mamede...

Passavam poucos minutos das 8h da manhã já eu e o L. Maurício tínhamos deixado o local do PAC 1 do UTSM e íamos a subir a serra... Estava previsto ter mais companhia, mas as lesões têm apoquentado alguns lobos do ACP... Uns com "patas" torcidas, outros com dores na "espinha"... Desejo-vos rápidas melhoras! Inicialmente até era para ter ido sozinho, mas diga-se de passagem que a companhia neste treino foi fundamental!

Este treino tinha vários objectivos!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

AXtrail #2 Alvaiázere 29km (entardecer/nocturno)

Alvaiázere, 2 de Junho de 2012


Já desejava ter-me estreado nas provas do AXtrail à mais tempo, mas apenas este ano, nesta #2 série em Alvaiázere é que se reuniram as condições para que isso acontecesse.

E não fui sozinho, do Atletismo Clube de Portalegre fomos 7 atletas! Um grupo animado e alegre, onde a boa disposição reinou sempre! Só no regresso a casa, é que o sono falou mais alto e derrubou alguns que ainda resistiam após os 29km de trilhos pela serra de Alvaiázere, não foi?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Freita - Uma "paixão antiga"

Tal como tinha referido aqui ontem, tenho andado a ponderar participar no Ultra Trail da Serra da Freita daqui a um mês...

Pois bem, a decisão foi rápida e a inscrição já está feita e paga, por isso já não há volta a dar...

Inicialmente não estava nos meus planos ir fazer a Freita este ano, porque não tinha a certeza se conseguia ter o dia livre... Mas (in)felizmente parece que terei esse dia, e muitos outros, livres nos próximos tempos...

Desde que comecei a correr e enveredei no mundo da corrida em trilhos que o UTSF me fascinou e sempre desejei fazê-lo, por várias razões...

Primeiro porque é uma zona que gosto muito, onde passei vários domingos nos meus tempos de criança em passeios, piqueniques e churrascos... Nunca me hei-de esquecer também do dia em que conseguimos (eu, os meus pais e a minha irmã) descobrir a aldeia de Drave... Uma aldeia perdida no meia da serra, com acessos complicados e onde, na altura, apenas restavam dois habitantes, um casal já com alguma idade... Este é um dos motivos pelo qual desejo tanto fazer o UTSF, para poder voltar atrás no tempo e recordar paisagens, cores, cheiros e sons da Freita!

O segundo motivo tem que ver com as características da prova em si... São 70km, uma distância nova para mim, que desejo experimentar... Desníveis que nunca fiz numa prova: D+4100m/D-4100m, que desejo conseguir superar! E, last but not the least, a tecnicidade do percurso! Adoro trilhos técnicos e, como sabem, o UTSF é por excelência, a prova extreme de referência em Portugal!

Sendo assim, restam-me 4 semanas para ultimar a preparação. Sinto que estou minimamente preparado, mas ainda queria fazer uns últimos testes antes do grande dia...

O primeiro será já amanhã, 28km com D+1100m em Alvaiázere... E no domingo "arrumo-lhe" com mais uma dose semelhante em treino pela serra de S. Mamede!

No fim de semana de 9/10 é descanso...

No fim de semana de 16/17 conto fazer uma ultra jornada de treino com o objectivo também de testar equipamento...

No dia 24 vamos a banhos na Reixida, já a descomprimir para a Freita...

E é assim... Se sobreviver, cá estarei para contar a história...

Bons treinos!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ponto da situação

Decorridos que estão os primeiros 5 meses do ano, é altura de fazer um balanço do que se passou neste início de 2012...

Pois bem, tal como tinha referido aqui, o grande objectivo desta primeira metade de 2012 seria o 2º Ultra Trail de Sesimbra, na distância de 50km!

Mas antes disso haviam outras etapas a cumprir... O máximo de distância que tinha feito em trail foram os 35km do Trail Terras do Grande Lago e a minha ideia era ir aumentando a distância e o nível de dificuldade gradualmente...

Assim, fiz os 38km do Sicó! Uma prova que me correu bem, tendo até chegado à meta emocionado...

Depois foi Penafirme, 30km para não perder a embalagem...

De seguida a minha primeira maratona, em trail! Vou guardar para sempre na minha memória os meus primeiros 42km por trilhos no Almourol!

Realizada esta constante adaptação à distância, "amandei-me" para Sesimbra! Concluí os meus primeiros 50km com sucesso, embora tenha fraquejado em alguns momentos, mas mesmo assim senti-me melhor do que aquilo que estava à espera... E assim alcancei um dos meus objectivos que era terminar um trail com distância superior à maratona!

Mas isto não foi só trilhos...

No início do ano, no Campeonato Nacional de Estrada em Benavente, bati o meu recorde pessoal dos 15km com 1h03, tirando mais de 4min à minha anterior marca!

De seguida foi a milha que caiu... Na Milha Urbana das Galveias consegui melhorar 2 segundos o meu anterior melhor tempo na distância!

E ainda tive tempo para ir a Mérida melhorar o meu tempo à Meia Maratona! 1h31m06 A 1h30 está próxima...

Neste último mês de Maio ainda deu para ir experimentar a Meia Maratona na Areia e manter o ritmo no 2º Trail de Abrantes!

E estes primeiros 5 meses foram mais ou menos assim...

Agora vamos pensar no que resta até ao final de 2012... O grande objectivo é, sem dúvida, a Maratona do Porto lá para fins de Outubro!

A minha ideia era descansar um bocado agora em Junho e a partir de Julho atacar a preparação para os míticos 42195m!

Mas quem é que consegue parar quando se está inserido num clube como o Atletismo Clube de Portalegre?

Um diz para irmos a Alvaiázere... e vamos!

Outro diz que era engraçado irmos à Reixida... e vamos!

Vários não conseguem dormir só a pensar em Óbidos... e a gente lá vai!

E eu, como se não bastasse, ainda ando a ponderar ir à Freita, ao UTSF!

Vamos indo e vamos vendo... Várias decisões importantes serão tomadas nos próximos dias...

Bons treinos!