quarta-feira, 7 de outubro de 2020

1ª edição das Voltas do Impossível 2020 - 2ª parte

Continuação...


"Está na hora, não há volta a dar"

Fiz uma última verificação para ver se não me faltava nada, memorizei o número do dorsal (118) para ir recolhendo as guias, máscara no focinho e entrei na arena. Havia marcas no chão para ficarmos todos afastados... Eu optei por ir lá para trás, como faço quase sempre...

Junto à placa que imortalizaria os eventuais "Pilhas" que conseguissem dar as 5 voltas dentro do tempo limite. Foto: Filipe
 

Na Arena estavam expostas as matrículas entregues pelos participantes. Foto: Filipe.


Partida! Com a lanterna acesa. Foto: Filipe.

Sabíamos que a partida seria às 7h30 em ponto! Agradeci mais uma vez para mim mesmo o Moutinho não se ter lembrado de dar a partida às 2 ou 3 da manhã... Iria ser o terror, já vão perceber porquê...

Acende-se a lanterna e aí vão eles! Não éramos muitos, pelo que ouvi dizer, uns 35... Os primeiros depressa deixei de os ver. Ali fiquei na cauda do pelotão durante as primeiras centenas de metros...

Subimos pelo meio da aldeia de Rio de Frades, apanhamos um troço de estrada e ao fim do primeiro km estávamos a entrar nos trilhos propriamente ditos.

Seguia atrás do Miguel Baptista... Subíamos ligeiramente, mas dava para dar um trote de vez em quando... Passei o Miguel e segui no meu ritmo... Antes dos 2km virámos à esquerda e a inclinação aumentou substancialmente... Sentia-me bem, soltinho, levezinho... Sem qualquer dificuldade na navegação do GPS... Naturalmente fui ultrapassando alguns atletas...

Até aos 5km era sempre a subir! Tínhamos partido aos 320m de altitude e subiríamos até aos 960m +/-. O Moutinho fez o favor de nos abrir grande parte do trilho à força de roçadora, por isso quase nem era preciso GPS... Além de ver onde metíamos os pés, só tínhamos de nos preocupar em apanhar as duas primeiras guias que estavam entre o 4º e o 5º km, o que não foi difícil, porque as caixas estavam bem visíveis.

As sensações eram boas! O sol levanta-se por trás da montanha, havia algumas nuvens no ar, a temperatura era fresca, o ar era puro e aquele silêncio não tinha preço... A meio da subida temos um troço plano, em que seguimos por uma crista, talvez com uns 10m de largura... Olhamos para um lado, um vazio de 500m de profundidade, do outro lado idêntico... As encostas em redor são íngremes e agrestes! Mas não há grande tempo para apreciar as vistas...

Até que chegamos à primeira caixa, ainda vamos alguns atletas juntos, fazemos fila para retirar a guia e seguimos. Umas centenas de metros mais à frente a segunda... Siga!

 

1ª Caixa com a 1ª guia. Foto: José Carlos Madureira.


Aproveitar para descansar um pouco na fila. Foto: José Carlos Madureira.

 
 
Tudo à procura do dito papel. Foto: José Carlos Madureira.

Apanhamos a estrada, terminou a primeira subida! Sabia pelo gráfico da altimetria que seriam 3 grandes subidas... a primeira estava feita! 5km em 50 minutos... Parece lento, mas acreditem que não foi nada mau!

Entramos novamente nos trilhos, um caminho entre muros de pedra, com o piso cheio de pedra também... Mas como estava fresco e a agilidade ainda estava no máximo fiz aquilo tudo a correr... pelo caminho apanhei a 3ª guia.

Fomos descendo, entretanto arranjei companhia de um atleta com um ritmo idêntico... Chegamos ao Rio (de Frades) onde estava a 4ª caixa. Apanhei a guia, olhei à volta... "Mas isto é para onde?" Olhei para o GPS, como estava parado e metido num buraco jeitoso também ele estava meio marado... Só havia uma hipótese, atravessar o rio e logo se via...

Assim foi. Passamos o rio tentando não molhar muito os pés e logo percebi que era para seguir por ali abaixo junto a uma espécie de levada... Chegamos à parte perigosa que o Moutinho tinha falado, tipo via ferrata, havia uns cabos de aço na rocha e tínhamos que seguir com cuidado a ver bem onde púnhamos os pés! É que uma queda aqui era um trambolhão de 20 ou 30 metros até ao rio.

Passamos a parte perigosa e seguimos num trilho bastante agradável, estreitinho, mas plano e já sem perigo, até apanharmos novamente estrada e chegarmos à aldeia de Tebilhão, que já conhecia do UTSF, mas por um acesso diferente.

Em Tebilhão surgem novamente dúvidas na navegação... "Será por aqui? Será por ali?" Sabíamos mais ou menos a direção a seguir, por isso era ir descendo e se saíssemos do caminho o GPS logo avisaria... O meu medo era seguir um caminho paralelo e diferente do estipulado e falhar alguma caixa, mas como a caixa seguinte estava só depois da aldeia, não havia esse perigo.

Saímos da aldeia e descemos por entre umas hortas, novamente em direção a um riacho num trilho que me pareceu familiar das vezes que fiz o UTSF. Aí junto ao rio estava a 5ª caixa! Não havia como falhar!

Seguia-se a aldeia de Cabreiros, onde o track fazia "uma agulha" e mandava-nos para trás quase pelo mesmo caminho... O pior foi descobrir para onde é que ele nos mandava e qual o caminho a seguir... Fui pela lógica, subi um muro, atalhei por uma ribanceira, dei a volta à capela e deparei-me com outro muro e mais uns pequenos campos de cultivo... Tinha que ser por ali! Dei um assobio para avisar o meu colega que já tinha encontrado o trilho e segui... Nunca mais o vi! Só o voltaria a ver no final desta primeira volta!

Aqui o percurso começava a ser dúbio... Já não era aquele trilho limpinho que o Moutinho tinha preparado... Já andávamos no meio de campos, árvores, açudes, trilhos estreitos entre muros... Não havia apenas um caminho possível, haviam sempre vários... E eu ia tentando escolher o mais lógico, sempre seguindo a linha orientadora do GPS...

Até que vejo um atleta uns metros à frente, era o Paulo Correia, também andava meio às aranhas... Mas o que é certo é que foi graças a ele que não falhei a 6ª caixa! Houve outros que não tiveram a mesma sorte e tiveram que voltar para trás! Lá conseguimos chegar à estrada, saíndo ligeiramente do track, mas a caixa estava feita e era o que interessava... De qualquer das maneiras, memorizei logo por onde seria o caminho certo, para não me enganar na 2ª volta!

Seguia agora com o Paulo, entramos logo de seguida nos trilhos e continuamos a subir! Estávamos a fazer a 2ª grande subida da prova! Uns caminhos sem grande dificuldade de navegação, mas mesmo assim ainda andámos lá no meio de um matagal e começava o festival de acupunctura! Bem dizia o Moutinho que o melhor era levarmos calças... Eu levava corsários, mas não era suficiente... A esta altitude predominavam as silvas, os tojos e outros arbustos nada agradáveis ao toque!

Lá encontramos a 7ª caixa! Recolhemos a guia e logo de seguida seguimos pelo caminho errado! Depressa voltamos para trás! Demos de caras com o Miguel Baptista e com outro atleta, o Adriano, que mais tarde descobri que tem os joelhos do Mantorras!

Quatro cabeças pensam melhor que uma! E com 4 gajos a olhar cada um para o seu GPS, lá conseguimos dar com o trilho certo... Estão a ver o que é um trilho com 20 a 30cm de  largura, com o chão limpo, mas da cintura para cima todo tapado com giestas e silvas e sei lá mais o quê? Era por aí que tínhamos que seguir! O problema é que havia sempre 2 ou 3 opções de caminhos diferentes... Ora seguia eu à frente, chamava os meus colegas, atravessávamos aqueles 10 ou 20 metros e de seguida ficávamos na dúvida outra vez... Depois seguia outro, a abrir caminho por entre as giestas e silvas tentando não fugir muito do track... Havia partes em que baixava a cabeça ao nível dos joelhos e seguia quase de gatas por ali acima... Porque a parte de baixo junto ao chão tinha menos mato que junto ao tronco e cabeça! Um martírio... Só se ouvia o pessoal aos "Ais! Uis!"! De vez em quando lá saía um "F*da-se!".

Até que o caminho começou a abrir um pouco mais e demos de caras com a 8ª caixa! Eu diria que foi sorte! Bastava termos ido um pouco mais ao lado e nem a víamos! Estávamos com 11km e pouco, aos 900m de altitude e 1h45 de prova! Ou seja, sensivelmente a meio da volta!

Continuamos a subir, mas agora num estradão, onde deu para correr um bocadito, comer qualquer coisa e vestir o corta vento que cá em cima estava mais vento!

Depressa terminou o estradão e mais um troço de matagal para atravessar, numa zona mineira abandonada! Mais uns arranhões na pintura!

Chegamos à zona das eólicas (1100m) onde eu pensava que o Moutinho nos ia mandar pelo estradão, tipo troço de ligação com outro trilho... Qual quê! Vais aqui por cima destas pedras que são muito bonitas! E atenção para não falhares a caixa com a 9ª guia! Conclusão: quase 10 minutos para fazer 700m! Vá lá que não falhamos a caixa!

A meteorologia aqui em cima não perdoava! Estávamos num planalto, bastante expostos. A temperatura devia rondar os 10º ou menos, não sei... Havia algum vento e uma chuva miudinha! Agradeci a mim mesmo o facto de ter trazido uma camisola térmica de manga comprida por baixo da t-shirt!

Lá fizemos um bocadito de estradão e virámos para os trilhos novamente! Logo ali estava a 10ª caixa, numa zona tipo pântano, onde haviam muitas poças de água!

Seguimos os 4! Um singletrack engraçado, ainda no planalto, girámos à esquerda e entramos num trilho que nos levaria à aldeia do Candal! Era um caminho murado, tipo calçada com grandes pedras, onde dava para perceber que já lá tinham passado carros de boi, carroças, ou coisa parecida... mas neste momento estava já com muitas ervas e apenas dava para passar uma pessoa. De vez em quando era atravessado por cursos de água que escorriam pelo caminho e desciam encosta abaixo...

O Paulo seguia à frente em alta velocidade e apesar de ser o mais velho, foi o que se desenrascou melhor na descida! Uns 20m atrás vinha o Miguel e eu... O Adriano, talvez pelos joelhos de Mantorras, foi ficando para trás...

Quase no final da descida, mesmo antes da aldeia, atravessamos uma estrada, entramos noutro caminho e novamente  haviam duas hipóteses: uma viragem à direita que parecia a mais lógica,  e outra era seguir em frente por um caminho mais tapado... Convenci o Paulo e o Miguel que era para a direita! Fizemos uns 100m e fomos desembocar num caminho de empedrado, onde vinha também ter a outra hipótese que tínhamos visto. Estranhei e disse-lhes "Esperem que vou aqui verificar se não está aqui a caixa." E não é que estava mesmo?!

Reunimos novamente com o Adriano que por sinal tinha tomado a opção certa! Pelo menos não falhamos a caixa... mas esta foi por pouco! Seguimos.

Continuamos a descer, atravessando a aldeia... mas disse logo aos meus colegas "Epá, vocês vão olhando para o GPS, vão confirmando, porque às vezes um gajo pode-se enganar..." E Apesar de grande parte do percurso seguir trilhos lógicos, noutras partes, bastava uma distração, ou um excesso de confiança e já estavas fora do trilho, ou passavas e nem vias a caixa...

Enquanto saíamos da aldeia do Candal e começávamos novamente a subir, já ia sempre na dúvida... Aquele engano tinha-me matado um bocado a confiança na minha navegação! Já só faltavam 2 guias e não era altura para enganos!

Estávamos na terceira e última grande subida! Era a mais curta das 3, dos 680m aos 870m! Depois de sairmos da aldeia já não havia dúvidas na navegação... Era para subir por um pequeno corta-fogo até uma cruz lá no alto da serra!

Lá fomos indo, com calma, na conversa... Lá em cima junto à cruz estava a 12ª caixa! Tínhamos umas vistas desafogadas em redor e sabíamos que agora era sempre a descer novamente até Rio de Frades... Estávamos com sensivelmente 18km e 2h50 decorridas.

Cá em cima estava novamente frio e vento! Aproveitei para vestir novamente o corta-vento, que entretanto tinha tirado. O trilho agora, apesar de não apresentar grande dificuldade em termos de altimetria, era bastante técnico... A navegção também não era muito complicada, mas havia que ir sempre a olhar para o relógio para não perder o rumo...

Alguma carqueija para evitar, muitas pedras de xisto que pareciam facas com o gume virado para cima... Havia que escolher muito bem o sítio onde colocávamos os pés! Íamos os 4 em fila indiana...O Miguel, o Paulo, eu e o Adriano...

Acredito que naquela altura íamos os 4 a desfrutar mesmo daquilo! Até que... Paff! O Miguel para-se no meio do trilho, larga uns impropérios, levanta o pé esquerdo do chão... Coxeia... e ao mesmo tempo que se vira para trás para se sentar eu só pensava... "Espero que não seja grave! Espero que não seja grave!"

Mas era... O Miguel tinha batido com o joelho esquerdo numa lâmina de rocha que estava meia atravessada no trilho e tinha um corte talvez de uns 4 ou 5cm...


Continua...

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

1ª edição das Voltas do Impossível 2020 - 1ª parte

 Re-si-li-ên-ci-a
 
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)
 
"A resiliência é a capacidade do indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas - choque, estresse, algum tipo de evento traumático, entre outros. Sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades."


Ver também...

In-sa-ni-da-de
 
(latim insanitas, -atis, loucura)

"A loucura ou insanidade é segundo a psicologia uma condição da mente humana caracterizada por pensamentos considerados anormais pela sociedade ou a realização de coisas sem sentido. É resultado de algum transtorno mental."
 
 
Só alguém com muita resiliência e um pouco de insanidade pensaria sequer em candidatar-se a este desafio das Volta do Impossível. O que é certo é que mal vi anunciado o teor da aventura, marquei logo na agenda e prometi a mim mesmo fazer tudo para estar presente.

Em meados de Março enviei a minha candidatura e aguardei ansiosamente pela resposta que viria cerca de um mês depois na forma de uma Carta de Condolências. Nessa altura recebemos também a informação que devido à pandemia Covid-19 as Voltas não se realizariam em Maio, mas sim no dia 3 de Outubro.
 
Carta de Condolências.

 

Mais tempo para treinar, pensam vocês. Errado! Devido à situação que se viveu, parei completamente os treinos a 14 de Março. Voltaria a retomar a atividade a 4 de maio, mês em que fiz uns "impressionantes" 50km de corrida.

Ainda faltavam 4 meses pensava eu, tenho tempo de ir aumentando a carga... E assim foi... Mas muito lentamente...

Junho
Corrida - 79km / 8h

Julho
Corrida - 90km / 9h
Ciclismo - 93km / 4h

Só a partir do meio de Agosto consegui começar a encaixar treinos sucessivos, minimamente estruturados e que me permitiram ganhar forma.

Agosto
Corrida - 231km / 25h
Ciclismo -164km / 7h

Em Setembro mantive a carga, praticamente deixei de treinar em estrada e 90% dos treinos foram feitos na Serra de S. Mamede.

Setembro
Corrida - 207km / 23h
Ciclismo - 169kn / 7h

Fiz alguns testes para treinar a navegação por GPS e por 2 ou 3 vezes fiz treinos de 21km com 1000m d+ em menos de 3h que era a distância, o acumulado e o tempo limite previsto para cada volta das Voltas do Impossível.

Voltando à essência do desafio em si... As Voltas do Impossível idealizadas pelo José Moutinho, "Pai do Trail em Portugal" e mentor do Ultra Trail da Serra da Freita, são inspiradas na Barkley Marathons de Gary Cantrell aka Lazarus Lake.
 
Neste caso foi criado um enredo em torno das Minas de Rio de Frades e das aventuras dos "Pilhas" que na altura da 2ª Guerra Mundial arriscavam a vida para contrabandear o valioso Ouro Negro, o Volfrâmio.
 
O desafio aqui neste caso consiste em 5 voltas a um percurso pré-definido de sensivelmente 22km com 1500m D+ (valores finais e reais), com um tempo limite de 15h no total, guiados por GPS. Para ter acesso à 4ª volta, há que terminar a 3ª em menos de 9h e para ter acesso à 5ª há que terminar a 4ª em menos de 12h.
 
Para aumentar o grau de dificuldade temos que recolher pelo caminho guias de transporte que estão guardadas em pequenas caixas de madeira, neste caso eram 13 caixas. Outro pormenor e talvez o que causa mais dificuldade no pré-prova é que não sabemos a hora da partida! Esta pode acontecer entre a meia-noite e o meio-dia do dia da prova e só 1h antes é que somos avisados pelo toque de um sino. Ou seja, não há marcações nem há abastecimentos! Depois do acender da lanterna (mote para o início da aventura) somos nós e a natureza, com a esperança de regressar ilesos ao ponto de partida, único local onde poderemos ter apoio externo e dar início à segunda volta, desta vez no sentido contrário da primeira.

Assim, com a preparação possível, física, psicológica e logística, rumámos à aldeia de Rio de Frades, pertencente ao concelho de Arouca, bem encaixada num vale no coração da Serra da Freita. Contava com o apoio do Filipe, meu cunhado e companheiro do ACPortalegre. No pré prova já tinha tido a colaboração dos meus pais, irmã e esposa, que me ajudaram a preparar a logística de tudo o que ia precisar para as horas que antecediam a partida e para a prova em si, desde roupa, mantas, colchão, cadeiras, fogão, gás, comida, bebida e tudo o que pudesse eventualmente precisar nas mais de 24 que poderia durar o evento!
 
Chegamos a Rio de Frades cerca das 20h30, fomos diretos ao secretariado entregar a matrícula e a cerveja artesanal, de forma a receber o dorsal para a primeira volta e um mapa onde assinalei a localização das caixas  que continham as guias de transporte que tínhamos que recolher durante o percurso.

Entrega da matrícula e da cerveja artesanal em troca do dorsal da primeira volta. Foto: Flor Madureira.


Mapa com a localização das caixas. Foto: Jorge Camisão.


Fomos estacionar o carro junto à arena e fizemos uma caminhada curta (já pelo percurso da prova) novamente até ao secretariado para ouvir o briefing do Moutinho.
 
Começamos a ver algumas caras conhecidas... Estava cá o Miguel Baptista, o Jorge Serrazina, o Pedro Marques, o Paulo Correia... E outros malucos... Que por cá estarem não se podem ofender de eu lhes (nos) chamar malucos!

Frontal e direto, o Moutinho explicou aquilo que já todos sabíamos! O percurso era duro! Íamos sofrer... Durante aqueles kms éramos só nós e a Natureza...
Esclarecemos algumas dúvidas relativamente às guias que tínhamos que recolher e ao processo de terminar/iniciar nova volta!
Ficamos esclarecidos. Já podíamos ir descansar e aguardar pelo toque do sino...
 
Briefing. Foto: Flor Madureira.
 
 
Fomos para o carro, fizemos um segundo jantar cerca das 22h00 e estiquei-me cerca das 23h na bagageira do carro, com as tralhas todas ao lado... O banco do condutor cheio de sacos e roupa e sei lá mais o quê... No banco do pendura, o Filipe, qual sentinela à espera do toque do sino, para eu poder dormir descansado.
 
(Nota: Quando já tínhamos tudo pronto para nos deitarmos, pergunto ao Filipe "Viste o meu telemóvel? O que é para levar para a prova...", "Não sei... A última vez que o vi estavas com ele na mão." respondeu ele. Conclusão, reviramos o carro todo, desde o tejadilho até debaixo do carro, só faltou ver debaixo dos pneus... até que lá encontramos o telemóvel e já num stress dos diabos respirei fundo, fiz reset e fui-me deitar.)
 
Sabia que a partir das 23h o sino podia tocar a qualquer momento e a partida seria 1h depois... Mesmo assim dormi. Acordei cerca das 3h30 já com sede e fome e vontade de um xixi...
 
Saímos para esticar as pernas... Não se via nem ouvia vivalma. Fiquei um pouco aliviado, porque sabia que já tínhamos evitado metade da noite... Mesmo que o Moutinho tocasse o sino às 4h, a partida seria às 5h e já só fazíamos 2h de noite...
 
Fomos-nos arrecadar novamente... Depressa peguei novamente no sono. Até que... às 6h30 em ponto ouviu-se um sininho... Levantei logo a cabeça... "Já está!"
 
A contagem decrescente começava... Já poderia iniciar as rotinas pré-prova... Mas devo confessar que estava sem vontade nenhuma... Às 23h quando me deitei estava com a adrenalina nos píncaros, pronto para ser lançado às feras... Agora, às 6h30 da manhã, com uma noite mal dormida, só me apetecia ir para casa e deitar-me na minha cama quentinha...

Carinha laroca pré-prova. Foto: Filipe.

O indivíduo, o mapa, o albergue e a tralha... Foto: Filipe.


Mas o que tem que ser tem muita força. Os atletas começam a sair dos carros... Come-se mais qualquer coisita, bebe-se uns cafés "estilo campista", equipamento pronto, fotos da praxe e eram 7h17 ouvimos o Moutinho "Têm 3 minutos para entrar para a arena"! C@ralho! Que nervos... Porra!
 
Continua...
(inglaês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)
nome feminino

1. [Física]  Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.

2. [Figurado]  Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.


"resiliência", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/resili%C3%AAncia [consultado em 05-10-2020].
re·si·li·ên·ci·a

"resiliência", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/resili%C3%AAncia [consultado em 05-10-2020].
re·si·li·ên·ci·a
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)
nome feminino

1. [Física]  Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.

2. [Figurado]  Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.


"resiliência", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/resili%C3%AAncia [consultado em 05-10-2020].
re·si·li·ên·ci·a
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)
nome feminino

1. [Física]  Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.

2. [Figurado]  Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.


"resiliência", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/resili%C3%AAncia [consultado em 05-10-2020].
re·si·li·ên·ci·a
(inglês resilience, do latim resilio, -ire, saltar para trás, voltar para trás, reduzir-se, afastar-se, ressaltar, brotar)
nome feminino

1. [Física]  Propriedade de um corpo de recuperar a sua forma original após sofrer choque ou deformação.

2. [Figurado]  Capacidade de superar, de recuperar de adversidades.


"resiliência", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/resili%C3%AAncia [consultado em 05-10-2020].

terça-feira, 29 de abril de 2014

Preparando o UTSM: #2 - Equipamento/Material

Hoje irei dissertar um pouco (o que me vier à cabeça) acerca do equipamento/material a levar para uma prova como o UTSM - Ultra Trail da Serra de S. Mamede.

O material que levamos para um ultra trail tem que ser escolhido em função de vários aspectos, nomeadamente:
  • a distância da prova (neste caso 100km);
  • a região onde a prova se desenrola e o clima esperado (litoral/inetrior, norte/sul, etc);
  • a altitude (no caso do UTSM entre os 385 e os 1015m de altitude) e a própria orografia do terreno;
  • duração prevista;
  • dia/noite.
Analisando todos estes itens, poderemos optar pelo equipamento/material que melhor se adeque à prova e a nós próprios.

Além do material que cada um decidir levar, temos que cumprir com o regulamento e transportar conosco o seguinte material obrigatório:

  • Telemóvel;
  • Reserva de água (mínimo de 1 litro);
  • Comida (equivalente a 4 barras de cereais);
  • Frontal com recarga de pilhas;
  • Apito;
  • Manta térmica;
  • Corta-vento e gorro; a)
  • Calças/collants. a)
(a) este material poderá ser dispensado caso as previsões meteorológicas apontem para a sua dispensa, decisão exclusiva da Organização que o anunciará até 2 horas antes da Partida de cada evento. (in Regulamento UTSM 2014)

De salientar que não é conselhável estrear equipamento ou qualquer tipo de material no dia da prova... Um simples par de meias ou uma t-shirt nova, podem criar problemas desnecessários e facilmente evitáveis se usarmos apenas equipamento testado e aprovado por nós próprios.

Feita esta pequena introdução, vou tentar dissecar e ao mesmo tempo sintetizar, da cabeça aos pés, o material a utilizar nesta prova.

    1. Cabeça e pescoço

Boné ou buff... Ou as duas coisas... Depende das condições climatéricas. Se estiver frio, especialmente durante a noite, é aconselhável proteger bem a cabeça e o pescoço de forma perdermos o mínimo de calor possível. Calor é energia! Se estivermos a perder calor desnecessariamente, estaremos a gastar energia que nos fará falta mais tarde...
Se estiver um dia quente (com temperaturas máximas superiores a 20ºC), será também importante o uso de boné durante o dia...
Em relação a óculos/lentes de contacto é necessário ponderar bem o que levar... Se estiverem habituados a usar lentes de contacto nas provas, tudo bem... Mas sabendo que correm o risco de andar aos papéis se perderem uma lente...
Os óculos também podem ser difíceis de usar, especialmente se estiver um dia chuvoso...
Por isso, para quem precisa mesmo de auxiliares de visão, que opte pelo que está mais habituado... Para quem usa óculos no dia-a-dia, mas também se safa bem sem eles, pode optar por não levar nada...
Na cabeça também se usa o frontal, mas esse já foi falado noutro post...


    2. Tronco e membros superiores

No tronco é onde vamos transportar a mochila ou cinto de hidratação que a maioria dos atletas deverá levar. Digo maioria, porque o regulamento não obriga à utilização de nenhum destes itens. Obriga sim à utilização de material, que pode ser transportado como cada um bem entender...
O que interessa é que utilizem uma mochila (ou cinto, ou o que bem entenderem) a que já estejam habituados e que seja prática e confortável.
Em relação a roupa para o tronco, isso dependerá mais uma vez da meteorologia...
Se estiver um dia normal, temperaturas amenas e sem chuva nem vento, uma t-shirt de manga curta e possivelmente um corta-vento para durante a noite podem ser suficientes...
Se estiver um dia frio e/ou chuvoso, deverá equacionar-se uma camisola de manga comprida ou uma camisola térmica junto ao corpo além da camisola de manga curta. Um impermeável em vez do simples corta-vento também não será má ideia.

É importante referir e alertar que as condições climatéricas que se farão sentir na arena da prova (aos 385m de altitude) podem ser muito diferentes da meteorologia no topo da serra (aos 1015m). Mesmo que esteja bom tempo "cá em baixo", provavelmente estará pior "lá em cima".
Em algumas zonas, durante as maiores subidas e descidas encontramo-nos muito expostos aos elementos e acreditem que um simples buff ou um par de luvas podem fazer a diferença entre continuar em prova ou desistir devido a hipotermia, por exemplo... E niguém quererá desistir de uma aventura destas por causa de um par de luvas que ficou em casa para poupar umas 100g de peso, pois não?


    3. Membros inferiores

Nas pernas, digamos assim, teoricamente não são necessários tantos cuidados como no tronco. No tronco estão os nossos orgãos vitais e convém mantê-lo quente se a temperatura estiver fria e refrescá-lo se a temperatura exterior estiver elevada...
As pernas não sofrem tanto com o frio porque estão sempre em movimento e a produzir calor.
Por isso, o par de calções que usam nos treinos são perfeitamente adequados à prova, excepto se estiver frio que justifique o uso de calças compridas ou abaixo do joelho.
Em relação a meias de compressão é o seguinte: se estiverem habituados a usar e se derem bem, usem... Senão mais vale a pena não usar...
Meias e calçado... São 100km, não são 10 nem 20... Convém usar algo confortável e a que estejam habituados... No geral o piso do UTSM não é muito técnico nem escorregadio, pelo que uma sapatilha normal de trail ou até um calaçado de estrada mais robusto podem ser utilizados...
Hoje em dia até já se veem atletas de chinelos em provas de trail, por isso... Em relação ao calçado, nada é obrigatório, nada é proibido, tudo (ou quase) é aceitável...


    4. Bastões

Uma das grandes questões... "Devo levar bastões?"
Depende...
Se estiverem habituados a percorrer grandes distâncias com bastões e sentirem que irão tirar proveito deles, aconselho...
Se não estiverem habituados e não sentirem necessidade desse auxílio, não aconselho...
Nas subidas mais inclinadas e longas podem ser uma mais-valia, mas depois há muitas zonas em que são completamente supérfulos...
Eu pessoalmente, o mais provável será não levar bastões...
Mas sei que muita gente irá levar e compreendo... Só aconselho é a treinarem com eles várias vezes, inclusivé a transportá-los nas mãos sem os usar, a transportá-los na mochila, etc...


Uma nota que ainda não referi e que estava a guardar agora para o final é a possibilidade de enviar uma mochila para o PAC intermédio de Marvão (+/- aos 60km) com material e outras coisas que acham que irão precisar... Pode ser uma muda de roupa, um par de sapatilhas para trocar, algum tipo de géis/barras/etc que queiram repor nos bolsos para os últimos 40km, vaselina para lubrificar os pés, protetor solar... A imaginação é o limite!


Depois deste testamento, a conclusão que eu tiro e que espero que todos vocês lá tenham chegado é que não é aconselhável utilizar material sem primeiro o ter testado... E ainda, utilizar aquilo a que estamos habituados e que consideramos adequado a nós próprios e às condições que iremos encontrar...

Sendo assim, um abraço e boa continuação!

sábado, 19 de abril de 2014

Preparando o UTSM: #1 - Corrida/Progressão nocturna

Pois bem amigos, estou de regresso à escrita... Foram muitos meses sem escrevinhar nada aqui e sei que alguns de vocês já estavam a ficar preocupados...

Então durante o treino longo de hoje lembrei-me de escrever uns textos sobre a minha preparação para o UTSM - Ultra Trail da Serra de São Mamede...

Sim, estou inscrito e se nada correr mal, tentarei concluir os 100km, tal como muitos de vocês que estão a ler este post...

Mas falar da minha preparação seria algo um pouco chato, não acham?

"Fiz x km's, em x horas com x de desnível positivo" etc etc

Por isso tive outra ideia, que tal falar sobre outros temas pertinentes para quem vai correr 100km que não tenham a ver com o treino em si?

E porque é que não vou falar acerca do treino? Primeiro porque não sou treinador e apesar de ter umas "luzes" acerca do assunto não vou estar a dizer a alguém, "faz um treino de xx km's ou vai 10h para a serra porque eu fiz e comigo deu bom resultado"... Não. O treino deve ser personalizado e adaptado a cada um e quando falta cerca de 1 mês para a prova a maior parte do treino já está feita...

Assim, vou abordar outros temas que assentam mais na experiência e na tentativa e erro...

E vocês perguntam: "Mas que experiência tens tu Hélder para vires agora mandar estes bitaites?!"
E eu respondo: Alguma... Não muita, nunca terminei nenhuma prova de 100km... Mas já tenho alguns anos de trail nas pernas e sinto que os conhecimentos que tenho e que espero conseguir transmitir-vos sejam úteis, pelo menos a alguns de vós...

Claro que o atleta de elite ou mesmo aquele atleta que tem 10 anos de trail e 40 de corrida não quer saber dos meus conhecimentos para coisa nenhuma, mas sei que há muita gente a iniciar-se no trail e nos ultra trails que certamente apreciará ler alguns destes bitaites...

Escrevo estas linhas a título individual, sabendo que não tenho nada a perder, mas posso dar-vos algo a ganhar...

Então, o primeiro tema que me lembrei de abordar foi a "Corrida/Progressão nocturna".

O UTSM é uma prova de 100km, com início à meia-noite...

Podemos assim chegar à brilhante conclusão que todos os participantes terão pela frente pelo menos 6h de noite...
Digo "pelo menos", porque para aqueles que terminarem depois das 21h voltarão a ter que ligar o frontal...

Para facilitar um pouco teremos uma lua cheia (ou quase), que iluminará os trilhos se as nuvens não atrapalharem...

Agora, o que nos interessa saber acerca da corrida/progressão nocturna?

Um bom frontal é essencial! Não será um treino de 1h ali na rua do bairro... Serão pelo menos 6h com escuridão à nossa volta! Daí que um frontal com alguns lúmens (mais de 150lm) seja importante... O meu por curiosidade, tem 170.

Para quem já fez provas nocturnas com frontais de 30 lúmens, certamente ficou surpreendido e até com alguma inveja daqueles atletas que passam por nós (ou nós por eles) com uma autêntica central eléctrica na cabeça!

Não queremos ir ali com medo, a ver onde pomos os pés, pois não? Queremos luz, muita luz... Porque a luz dá-nos segurança... Queremos ter a certeza que aquilo ali à frente é um pau e não uma víbora cornuda (sim, há víboras cornudas na Serra de S. Mamede)...

Então, se ainda não possuem um bom frontal, pesquisem e invistam numa boa peça... Não precisa de ser muito caro, nem sempre os mais caros são os melhores...

Depois de terem o frontal com que vão realizar a prova, testem-no!

Não venham estrear o frontal no dia da prova... Têm que treinar com ele, senti-lo na cabeça... Saber onde liga/desliga, onde regulam a intensidade da luz, quanto tempo duram as pilhas, como se trocam as pilhas e onde o vão guardar quando já não precisarem dele...

Podem testá-lo primeiro numa estrada com pouca iluminação ou num estradão de terra batida sem iluminação pública... Mas o ideal seria treinaram com ele nos trilhos mesmo, na serra, onde há árvores, pedras, paus, ramos de árvores etc etc... Só assim conseguem fazer um bom teste ao frontal...

Aconselho por exemplo a quando forem fazer o vosso treino longo de fim de semana, levantem-se um pouco mais cedo e comecem o treino antes do nascer do sol... Façam 1h ou 1h30 de noite, na serra (de preferência em trilhos que conheçam bem), deixem nascer o sol, adaptem-se à luz, guardem o frontal e terminem o vosso treino já com o sol a brilhar...

Assim fazem um 2 em 1, testam o frontal e veem o nascer do sol...

Ainda em relação ao teste do frontal, podem experimentar colocá-lo na cabeça de 3 maneiras (ou até mais, se forem imaginativos): com um chapéu por baixo, com um buff e sem nada...  Eu pessoalmente gosto de usar sempre o chapéu por baixo, mas tem o inconveniente da pala do chapéu tapar um pouco a luz... O melhor é experimentarem e verem como se sentem melhor...

Uma chamada de atenção, o nevoeiro/nuvens baixas... O nevoeiro é o pior inimigo dos frontais! O mesmo acontece nos automóveis, quando está nevoeiro não se vê nada não é? O que fazem? Ligam as luzes de nevoeiro...
Agora tenho uma novidade para vocês, não conheço nenhum frontal de corrida de tenha luz de nevoeiro... Por isso, com nevoeiro a visibilidade é menor... E quando mais potente for o frontal, menos visibilidade terão...
Um truque é tirarem o frontal da cabeça e levarem-no na mão, quando mais baixo melhor... Perdem uma mão, mas ganham um pouco de visibilidade...

Correr de noite não tem nada a ver com o correr de dia... Como diz o provérbio, "De noite todos os gatos são pardos".

De noite, mesmo com um bom frontal somos obrigados a abrandar e a caminhar em sítios em que quando está de dia fazemos sempre a correr sem problema nenhum...

E acreditem, a não ser que sejam dos elites que lutam pelos primeiros lugares, mais vale prevenir que remediar... Abrandem, caminhem e mantenham-se seguros... Ninguém quer dar uma queda e correr o risco de magoar-se, muito menos quando nem sequer vemos onde vamos cair...

O UTSM não é uma prova perigosa, mas na parte nocturna aconselho a que sigam sempre acompanhados, principalmente os que têm medo do escuro... hehe

Os km's passam-se melhor, não vamos ali no silêncio da noite e se precisarmos de alguma coisa sempre temos ali alguém ao nosso lado... Claro que há quem goste de andar mais sozinho, mas pronto, gostos não se discutem...

Outra problemática das provas que incluem uma noite completa (ou quase) é o sono...
Aqui neste campo confesso que não tenho muita experiência...
Já fiz provas nocturnas, já fiz provas a começar de noite e acabar de dia, começar de dia e acabar de noite, mas assim uma directa deste género será a primeira vez...

Aliás, o sono poderá não estar relacionado só com a parte nocturna... Provavelmente há atletas que passam muito bem a noite e depois durante a parte diurna têm sono...

Penso que neste aspecto é importantíssimo descansar bem nas noites anteriores à prova, pricipalmente na véspera... Eu provavelmente deitar-me-ei à hora do costume, mas tentarei acordar o mais tarde possível... E quem sabe até dormir uma sesta na 6ª feira à tarde...

O café antes da prova também pode ajudar... Mas atenção que a cafeína vai aumentar-vos a frequência cardíaca, logo maior dispêndio energético... E numa prova de resistência onde a economia de energia é essencial, não convém estar a desperdiçar energia "à toa"...
Além disso, quase todos os géis e algumas bebidas isotónicas têm na sua composição cafeína ou outro componente excitante, por isso...

Em relação a este tema penso que é tudo, se me lembrar de mais qualquer coisa acrescentarei ou podemos ir trocando informações nos comentários...

Espero que gostem da leitura e prometo um novo tema para breve!

Um abraço e boa preparação!

terça-feira, 2 de julho de 2013

8º Ultra Trail da Serra da Freita - O regresso



Gostava de escrever algo sobre o 8º Ultra Trail da Serra da Freita, mas sinceramente não sei por onde começar...

Não quero fazer um resumo detalhado do que foi a minha prova, porque isso já fiz várias vezes e apesar de gostar de escrever sobre aquilo que passei, é uma coisa que, pelo menos a mim, me demora muito tempo a fazer pela necessidade de recordar cada momento, cada quilómetro, cada abastecimento, tudo, para que nada me escape...

Muitas coisas me têm passado pela cabeça nestas horas que se passaram depois de sábado à tarde, por vezes dou por mim a fazer qualquer coisa e a pensar neste ou naquele momento que passei durante a prova...

É um turbilhão de pensamentos, de flashes, de sensações que se não as colocar já "no papel", tenho medo de as vir a esquecer... Por isso vou tentar colocar preto no branco esses flashes e esses pequenos apontamentos, para mais tarde recordar...

Começo pela companhia e pelo fim de semana... Não podia ser melhor... Com os meus amigos do Atletismo Clube de Portalegre! O ano passado fui "sozinho" à Freita... Eu à ultra e a Carla aos 17km... É certo que tive o apoio dos meus pais e da minha irmã, mas este ano éramos uma equipa! 4 atletas na Ultra e 5 na Corrida! Gostei de os levar à "minha serra", à "minha casa" e estou certo que eles também gostaram de ir... Não sei se sabem, mas gostei muito de vos ter por lá!

Já havia provas que tinha repetido, que tinha feito uma 2ª vez, mas a Freita tem um gosto especial... Não sei bem porquê... Faz-me viajar no tempo até à minha infância e aos piqueniques naqueles domingos de verão com a família... Quando fui levantar os dorsais na 6ª ao final da tarde, ia a subir a serra de carro, a olhar para aqueles montes e vales e dou comigo todo arrepiado... É uma sensação difícil de explicar...

Só queria começar a correr! E quando a prova começou, senti que ia embarcar novamente numa experiência inesquecível, tal como no ano passado...
Foto: Luis Pinto

Gostei de fazer os primeiros km's na companhia do Vitorino Coragem, do Francisco Bossa e do José Simões... Um era já batido na Freita, outro estreante e o 3º não consegui perceber se alguma vez lá tinha ido ou não... Levou o tempo a "dar-me baile"...

Fui ansioso até chegar ao rio Paivô... Os primeiros km's de prova (para mim) são chatos e sem grande história e como já conhecia o percurso queria era chegar ao rio para ver se corria melhor que no ano passado...

Correu lindamente, uma ou outra escorregadela, mas nada como em 2012, em que fiquei logo marcado para o resto da prova...

Abastecimento de Covelo de Paivô, sou agarrado para uma foto...

Foto: Elisabete Martins

Os alentejanos em grande!

Próxima paragem Drave! A aldeia mágica!

Mas antes ainda temos que subir subir subir até chegarmos a um topo onde vemos a subida dos 3 Pinheiros e lá ao longe à nossa espera, "A Besta"! Uma panorâmica do percurso espectacular...

Drave, passei lá tão rápido que nem apreciei a beleza daquela aldeia perdida, mas o estado de espírito que se vivencia quando pisamos aquelas pedras é suficiente...

Vejo o Carlos Couto sentado num degrau, trocámos algumas palavras... Tinha caído, ia esperar pela esposa para terminarem juntos! E terminou!

Continuo...

Lagos naturais de águas límpidas e cristalinas... Maravilhosa a nossa Mãe Natureza!

Meto-me dentro de água várias vezes para refrescar o corpo... Tão bem que sabe!

Subida dos 3 Pinheiros... Já o ano passado tinha adorado trepar por ali acima...

Sinto-me muito bem! Começo a ultrapassar atletas... Vejo algumas caras conhecidas...

Sou eu que vou rápido demais? Ainda falta metade da prova e a maioria do desnível...

Vais dar um valente estouro! Não faz mal... Ali à frente tens um chouriço assado à tua espera...

Póvoa das Leiras... Minis? É melhor não, ainda desidrato mais depressa... Como chouriço, tomate com sal, que bem que sabe...

Foto: Lina Branco Batista

Foto: Lina Branco Batista

Vamos à Besta!

Estou a vê-la ali à frente... Será que é tão inclinada como parece? É mesmo! C*r*lho!!!

Foto: José Moutinho

Foto: Lina Branco Batista

Trepo, agarro-me às rochas, equilibro-me... Cuidado não caias para trás!

Está calor! Tenho que parar a meio! Meto um gel à boca, bebo líquidos... Vamos ao resto da subida!

Ainda mais inclinada! Ah, mas temos uma corda...

O meu GPS marca 1100m de altitude... Continuo a subir... Agora marca 1020m! Minha nossa, estamos mesmo num buraco jeitoso...

Está a acabar... Afinal não, mais um bocadinho... Chegamos ao topo...

Um atleta a descansar à sombra... Manuel Quelhas... Vou-me sentar também... É melhor não... Se me sento nunca mais me levanto...

Estamos no topo da serra... Estradão de terra batida... Está calor! Muito calor!

Vão uns atletas ali à frente! Jorge Serrazina!? Vou aproveitar a boleia...

Esquece a boleia... Ainda aguento um bocado, mas na descida fico sozinho...

Continua muito calor! Preciso de me refrescar, de me molhar da cabeça aos pés...

Ainda consigo urinar... Não estou desidratado!

Passo pela aldeia do Muro... Não há nenhuma fonte pública? Há! Molho-me todo... Pernas, pés, coxas, virilhas, tronco, cabeça, pescoço, cara... tudo! Ah, que fresquinho!

Abastecimento de Manhouce! Quando chego está animado... Passado uns minutos estou sozinho no abastecimento, os outros atletas partiram todos... É melhor ir também...

A descer... Cólicas! Mau... Procura um cantinho onde ninguém veja... Ok, já está!

Continuamos a descer... Terra... Pó... Vou sozinho...

Espero bem que passemos por aquela levada do ano passado... Cá está ela... Meto-me lá dentro, à sombra, com água pela cintura...

Chegam o Jorge e a Glória Serrazina e outro atleta... Então mas eles não estavam à minha frente? Devem ter-se perdido...

Continuamos a descer... Mais rio, mais água... Mais um banho! Agora vou mesmo meter-me todo dentro de água... Tiro a mochila, os óculos, o chapéu e o relógio... Mergulho-me na água... Ahh... Que bem que sabe...

Vem aí o Jorge novamente, agora vou mesmo na boleia dele...

Passámos o 2º túnel... O colega da frente dá duas valentes cabeçadas na rocha... Até a mim me doeu...

Continuamos... A descer pelo alcatrão... Está ali uma aldeia, deve ser ali o abastecimento da Lomba...

Começamos a subir... Muita inclinação... Degraus enormes... Um atleta sentado à sombra...

Chegamos à aldeia! É para virar à esquerda!? What the f*ck!? Então e o abastecimento?

Não é aqui, é na próxima aldeia...

Voltamos a descer... Muito pó novamente! Descida bastante técnica, como quem quem diz, muito f*dida! Agarro-me aos troncos... Sou o tarzan!

Atravessamos mais um rio! Vou com outro atleta, Filipe Reinoite!

O meu GPS diz baterias fracas... Quero ficar com o percurso todo gravado, ligo o carregador portátil...

Muito calor! O meu companheiro está sem água... Estamos a 100m do abastecimento... Uma fonte... Molho-me todo!

Abastecimento da Lomba! Tratam-me pelo nome! Metem-me uma canja nas mãos... Repito a canja! Não como mais nada... Molho-me noutra fonte... Tenho que ir...

Continua a subida... Tenho nova companhia, Vitor Pinto, vamos juntos até ao fim...

Estamos no final da subida, belo pôr do sol...

Vacas no meio do caminho! "Podem passar que elas não fazem mal..." Ta bem, mas pesam não sei quantas vezes mais que eu e têm uns valentes cornos...

Vamos até Castanheira! Ainda tomo mais um banho pelo caminho...
Foto: Lina Branco Batista

Antes do abastecimento, a minha mãe, a Carla e a minha irmã... Vejo-as antes de elas me verem a mim... Abraço-as! Bebo qualquer coisa, não como nada, tinha acabado de meter um gel à boca...

Peço para me despejarem um garrafão de água pela cabeça abaixo...

Foto: Lina Branco Batista

Tenho que ir...

Mais 1h até ao final, foi o que demorei no ano passado +/-...

PR7 on fire! Mais rápido que no ano passado, não estou todo partido como estava em 2012... Desço até à ponte... Sobes, alcatrão, continuas a subir... Desces, voltas a subir... Alcatrão, agora é que é...

Ainda se corre um bocadinho... Nas subidas é que não...

Último quilómetro... Já cheira a meta!
Foto: Lina Branco Batista

Batem-me palmas, incentivam-me, felicitam-me... Corto a meta!

Cheguei!? Já cá estou!? Nem acredito!

Entregam-me o prémio de finisher... Apetece-me beijar aquela placa de lousa, mas não o faço... Fico só uns segundos a contemplá-la...

Vou procurar a minha gente...

Não sei da Carla... O Vitor e o Roberto estão de roda das minis... O Sérgio e o Pinto já cá estão, não terminaram... Fico triste...

O corpo e a mente começam a arrefecer...

Já acredito que cheguei... Mas doem-me os tendões rotulianos...

Tomo banho, massagem, jantar, viagem para casa, jantar de novo, conversa, risadas, vinho tinto e... cama!

E agora consigo descansar e saber que estão aqui algumas das memórias com que vou ficar deste UTSF!

Para 2014, se tudo correr bem, hei-de lá voltar!

quinta-feira, 14 de março de 2013

12º Corta Mato UFD

No passado dia 9 de Fevereiro, realizou-se na Herdade da Contenda o 12º Corta Mato da União Futebol Degolados (UFD), organizado pela UFD com o apoio da Junta de Freguesia de Degolados e da Câmara Municipal de Campo Maior e a colaboração técnica da Associação de Atletismo do Distrito de Portalegre.

Esta prova contou com corridas para todos os escalões desde os Benjamins aos Veteranos. No conjunto das provas de absolutos masculinos (6000m) e femininos (3000m) terminaram 48 atletas, sendo 4 (8%) do sexo feminino.

Partida! Foto: CEN Atletismo - Jorge Vitorino

Num traçado bem variado, com algumas zonas de lama, conseguiram sair vencedores Francisco Marquez da Asociación Atlética Ciudad de Badajoz em masculinos e Raquel Trabuco do Clube Elvense de Natação em femininos.

A minha prova correu dentro do que estava à espera... Não fui com intenções de abusar demasiado, porque estava prestes a iniciar o plano de treinos para os 101 Peregrinos e então abordei a prova com tranquilidade, sem querer ir ao limite nem arranjar nenhuma lesão...

Estavam anunciadas 4 voltas de 1500m para os absolutos masculinos, perfazendo 6000m de corrida, mas no meu GPS acabei por registar apenas 5390m.

Parti com calma, na retaguarda do grupo... No final da primeira volta aumentei ligeiramente o ritmo para ganhar umas posições e aí iria ficar praticamente o resto da corrida...

Na 2ª e na 3ª volta tentei manter um ritmo mais ou menos constante, coisa que é difícil tendo em conta as características do terreno...

No final da subida mais inclinada do percurso... Foto: atletismoextremadura.es

Na 4ª e última volta, que é quando a maioria dos atletas aumenta o ritmo e gasta os últimos cartuchos, eu mantive-me na mesma toada e terminei já em desaceleração, porque não valia a pena estar a ir ao limite...

Registei no meu garmin 5,39km em 23m25s com uma média de 4.21min/km.


Fui 21º de 44 na classificação masculina e 9º de 15 nos seniores masculinos.

Estava terminado o meu treino rápido... E com os minutos que tinha feito no aquecimento, já deu para meter mais uns km nas pernas...

terça-feira, 5 de março de 2013

BRM L'Antique 200 (2013)

Vila Franca de Xira, 2 de Fevereiro de 2013

Cartaz do evento

Ora bem, já passou mais de 1 mês desde que me aventurei no meu primeiro Brevet, mas ainda vou a tempo de contar a história...

Foi em meados de 2012 que descobri os Randonneurs Portugal... Não sei como foi, mas deve ter sido por acaso, no facebook... Comecei a "investigar" e gostei do tipo de desafios a que esta gente se propõe e da maneira como são encarados... Em 2012 já me era impossível participar em algum Brevet, mas ficou cá a lembrança e a semente ficou a germinar...

E perguntam vocês, então mas que raio é isso do Brevet?!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

3º Trilhos dos Abutres

Miranda do Corvo, 26 de Janeiro de 2013


Já gostava de ter participado nesta prova o ano passado, mas como não foi possível, fui guardando a vontade para este ano...

A comitiva ACP prometia ser relativamente numerosa, mas no final, por um motivo ou por outro, fomos só 3 os representantes do AC Portalegre / UTSM nestes trilhos de Miranda do Corvo... Eu e o L. Pinto nos 45km e a Carla nos 24km...

Os 3 lobos nos Abutres!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

21ª Corrida das Linhas de Elvas

Realizou-se no passado dia 20 de Janeiro a 21ª Corrida das Linhas de Elvas, prova inserida nas comemorações do 354º aniversário da Batalha das Linhas de Elvas.

É uma prova promovida pela Câmara Municipal de Elvas e que contou com a presença de mais de uma centena de atletas no conjunto de todos os escalões.

O percurso para os juniores, seniores e veteranos, com distância de 7,5km iniciou-se junto ao Padrão que foi erguido após a batalha, a cerca de 2km da cidade de Elvas, percorrendo de seguida algumas das principais avenidas da cidade, passando pelo Parque da Piedade e terminando com uma volta à pista do estádio de atletismo. As provas dos escalões mais jovens realizaram-se na pista de atletismo.

No início temos uma descida de cerca de 1,5km e depois é um sobe e desce constante até ao final, na pista...

Fiz uma prova como gosto de fazer, de trás para a frente...

Parti no final do pelotão, aproveitei a descida para ver como estavam as canetas e depois foi tentar manter um bom ritmo até ao final...

Perto dos 5,5km, quando me enganei numa rotunda mal sinalizada e estava a querer quebrar, ainda fui rebocado pelo meu colega de equipa João Farinha, que me deu alento para conseguir terminar a prova num bom ritmo...

Na aproximação à pista, já depois da preciosa ajuda do João F.. Foto: Filomena Cordeiro (ACP)

Classifiquei-me em 33º da geral em 90 atletas e 14º em 27 nos Seniores Masculinos com um tempo de 29.50.

Colectivamente venceu o Atletismo Clube de Portalegre colocando 3 atletas nos 11 primeiros lugares e fechando aí a equipa.

Resultados

Registo da minha prova no Endomondo

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Campeonato Nacional de Estrada 2013

No passado dia 13 de Janeiro realizou-se em Lisboa o Campeonato Nacional de Estrada 2013, integrado na 6ª Corrida de S. Domingos de Benfica.

Classificaram-se no campeonato nacional 204 atletas masculinos e 50 femininas.

Manuel Damião reeditou a vitória que tinha alcançado em 2012, sendo que o 2º - Youssef El Kalai e o 3º - José Rocha alcançaram novamente o pódio, embora tenham trocado de posições em relação ao ano passado.

Em femininos venceu Sara Moreira, com Ana Dulce Félix em 2ª e Marisa Barros em 3ª.